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26 de fevereiro de 2018, 15h32

PT pode vir a lançar candidato anônimo para ser Lula se perseguição se ampliar

O candidato necessariamente não precisa ser um político. Pode ser um padre, um pedreiro, uma costureira, um torneiro mecânico, um professor universitário, uma babá, um ator. Alguém que assuma o papel de disputar em nome de Lula a eleição de outubro.

Há uma tese que pode vir a ganhar força com a operação Cartão Vermelho, comandada pela Polícia Federal, e que só não resultou na prisão temporária do ex-governador da Bahia e ex-ministro Jacques Wagner porque a justiça não autorizou.

Wagner, como se sabe, divide com Fernando Haddad o status de principais candidatos a Plano B do PT para a disputa presidencial deste ano no caso de Lula vir a ser impedido de concorrer.

Até o nome da operação (Cartão Vermelho) permite entender seu objetivo. É uma expulsão de Wagner da disputa presidencial. É a expulsão do PT do jogo da corrida eleitoral. E tudo fica mais explícito ainda porque o vermelho é a cor do partido de Lula.

Algum desavisado ou brincalhão pode dizer, mas o nome tem a ver com a corrupção na Fonte Nova. Se o objetivo fosse esse, os que escolheram a tag midiática tomariam cuidado para que ela não desse brechas a essa outra interpretação. O nome de uma operação dessas não admite espaço para ingenuidades.

Se havia no PT alguma dúvida acerca de que o cerco era total, hoje essa ficha deve ter caído. Um advogado respeitável já diz há algum tempo que o projeto é salgar a terra. Ou seja, o objetivo final é prender Lula e interditar o PT, caçando o registro do partido. E que isso só não acontecerá se nessas próximas eleições o partido tiver uma votação insignificante.

Não é apenas conversa pra enganar os troianos a de que boa parte do PT se nega a discutir planos B, entre outros motivos, porque sem Lula o partido tende a definhar. Mas também porque considera que aceitar plano B é concordar com a tese de que Lula é culpado.

Ao mesmo tempo, o argumento de que sendo assim é melhor não disputar o pleito não cola. Porque sem um candidato presidencial a derrocada seria líquida e certa.

Por isso, o que nasceu quase como uma piada por vir a ganhar força nos debates. O slogan “eleição sem Lula é fraude” aos poucos pode vir a ser substituída por “somos milhões de Lula”. Ou seja, para deixar claro que quem quer que seja que venha a substitui-lo na disputa em outubro será Lula.

Não será candidato de si próprio e vai ter que falar por ele, que estará impedido de fazê-lo. Ou seja, vai ler cartas de Lula, trabalhar com a assessoria escolhida por Lula, defender as propostas que serão escritas por pessoas escolhidas por Lula e realizar o programa de governo Lula. E vai se comprometer a desmantelar o golpe.

E em sendo assim, o candidato necessariamente não precisa ser um político. Pode ser um padre, um pedreiro, uma costureira, um torneiro mecânico, um professor universitário, uma babá, um ator. Alguém que assuma o papel de disputar em nome de Lula a eleição de outubro.

É uma engenharia de alto risco, mas poderia dar um nó completo no processo eleitoral. E passa a ser uma possibilidade exatamente porque o salgar a terra está cada vez mais claro como a opção dos que querem uma eleição sem disputa.

Se alguém tinha dúvida, já não tem mais a partir do esculacho contra Jacques Wagner. Hoje foi Wagner, amanhã será qualquer um que tiver alguma chance de derrotar o estabilishment.

PS: Deixo para amanhã um outro texto sobre o cirurgião Alckmim e seu projeto presidencial que iria escrever hoje.


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