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02 de dezembro de 2013, 21h27

Reinaldo Azevedo e o pó parar, governador? – parte 2, a revanche

Blogueiro da Veja publica um texto onde fica claro que a história do helicóptero dos Perrella ainda tem muito mistério por debaixo daquela montanha de pó

Em 2009, o então articulista de O Estado de S. Paulo, Mauro Chaves, escreveu um artigo cujo título era: “Pó parar, governador?” O texto caiu como uma bomba nos círculos tucanos e foi a senha, segundo consta, para que o então governador de Minas Gerais se retirasse da disputa presidencial. Mauro Chaves era próximo de José Serra.

Ontem um amigo estrela me enviou via inbox o artigo que segue de Reinaldo Azevedo, blogueiro da revista Veja. Com o comentário: “você já viu isso?” Hoje meu amigo ave me ligou. E foi um pouco mais direto:

– O que eu te disse, maestro. Eu não faço você errar. Certamente você já leu o texto do Reinaldo Azevedo, né?

– Li sim, ave. Mas você acha que a ligação é assim tão direta…

– Tenho certeza. Ele é o melhor amigo do vampiro hoje na imprensa tradicional. Saem até para jantar…

– Mas isso também faço com vários políticos, ave.

– Maestro, anota aí, este é o “Pó parar, governador” parte 2, a revanche. O texto caiu como uma bomba no ninho. E vou te contar mais, os amigos las das minas acham que essa bola foi passada toda redonda pra ser publicada. Com cálculos, desenho, tudo muito ajeitadinho. É coisa de quem tem “inside information”, sacou?

– Saquei.

– Posso publicar?

– O texto do Reinaldo, claro maestro. E mande um abraço do ave pro seus leitores.

Com o abraço do ave, seguem trechos do texto do Reinaldo Azevedo. Quem quiser ler inteiro, vai ter de fazer uma visitinha no site dele. O Reinaldo não é creative commons. E eu não quero dor de cabeça.

 

“Qual é o busílis? O helicóptero da Limeira Agropecuária, empresa que pertence ao deputado estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG), a uma irmã e a um primo, foi flagrado pela Polícia Federal transportando 445 quilos de cocaína. Gustavo é filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG). Inicialmente, o Perrellinha afirmou que o piloto pegara o helicóptero sem autorização. Desmentido pelo advogado do rapaz, mudou a história. Teria dado um “ok”, versão endossada por Kakay, para que o outro dissesse um voo fretado — para ganhar uns trocos, vocês sabem…

Este rapaz, Gustavo Perrella, fazia o povo mineiro pagar o salário do seu piloto e o combustível do seu helicóptero

E foi aí que Gustavo e Kakay pisaram no tomate. Segundo as regras da Anac, aeronaves privadas — de pessoas ou empresas — não podem fazer voos comerciais, serviço privativo de táxi aéreo. Por isso, a agência decidiu abrir uma investigação. Na operação, piloto, copiloto e dois receptadores foram presos. A propósito: Rogério Antunes, o piloto, estava lotado no gabinete de Gustavo; era seu “assessor” e tinha um salário de R$ 1.700 pago pela Assembleia. Não para por aí: o deputado gastou R$ 11,2 mil de sua verba indenizatória para abastecer o helicóptero; Zezé, o pai — também ex-presidente do Cruzeiro —, torrou outros R$ 11,1 mil da verba do Senado. O aparelho, reitere-se, pertence à empresa da família.

Tudo muito estranho
Este que escreve não entraria num helicóptero nem debaixo de porrete. Se é pra voar, nada menos do que um jato — um amigo piloto lamenta a minha ignorância e a minha descrença nas leis da física; essa descrença só existe a alguns mil metros do solo, deixo claro… Muito bem! A história despertou a minha curiosidade.

O helicóptero da Família Perrella é um Robinson 66 (R-66). Não que eu esteja a fim de comprar um, mas fiz a lição de casa para vocês. É dos mais baratinhos. Por US$ 970 mil, vocês podem comprar um. Quem entende da área diz ser uma aeronave ideal para transportar pequenas cargas. Entendo.

Em seu depoimento, o piloto afirmou que o aparelho já saiu de Avaré, em São Paulo, carregando a droga. Fez uma viagem relativamente curta até o Campo de Marte. Dali seguiu para Divinópolis, em Minas, região onde fica a sede da empresa dos Perrella. Da cidade mineira, rumou para a fazenda no Espírito Santo, onde foi surpreendido pela Polícia Federal. Vejam o mapinha (do Jornal Nacional).

trajetória de helicóptero

O peso máximo para um R-66 sair do chão é 1.225 quilos — ocorre que só a aeronave pesa 581 quilos. Sobram 644. Desse total, devem-se descontar 224 kg do combustível. Sobraram 420. Notem: só a carga de cocaína (445 kg) já ultrapassou esse limite. Há ainda os dois pilotos — calculemos 140 quilos. A conta não fecha. Restaria uma possibilidade: o helicóptero não estar com a carga completa de combustível. Quanto teria de ser? Vamos pensar:
peso da aeronave – 581 kg
peso dos pilotos – 140 kg
peso da cocaína – 445 kg
soma – 1.166

Sobraram apenas 59 quilos para o combustível. Com 224 kg, segundo pesquisei, a autonomia do R-66 é de três horas, voando a 220 km/h. Assim, pode-se percorrer, chegando ao limite da pane seca (os prudentes não ousam tanto) 666 km. Huuummm… Regra de três: se, com 225 kg de combustível, pode-se voar 660 km, com 59 kg, voa-se, no máximo, 173,8 km.

Pois é… Vejam lá a rota do helicóptero. Entre Avaré e o Campo de Marte (também fui pesquisar), em linha reta, já são 265,8 km. Entre o Campo de Marte e Divinópolis, há 513 km — chega-se bem perto da autonomia do aparelho se tivesse saído com o tanque cheio. De Divinópolis até a fazenda no Espírito Santo, sempre em linha resta, há 393 km. Nada nessa conta fecha.

A minha hipótese é que o piloto pode não estar contando toda a verdade. O mais provável é que esse aparelho tenha sido abastecido em vários pontos ao longo da trajetória. E intuo que a droga entrou no helicóptero foi em Divinópolis mesmo, não em Avaré.”

Ou seja, o ave tem razão Reinaldo parece estar bem informado.


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