Blog do Rovai

Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
12 de abril de 2018, 11h06

A vida de Lula e o futuro do PT e da centro esquerda no Brasil

O PT precisará tomar decisões relevantes nas próximas semanas que irão refletir no destino da centro-esquerda por uma boa parte do futuro próximo

O PT está diante do seu maior desafio histórico. Tem que lutar contra uma perseguição kafkiana da justiça e dos aparelhos de força do Estado, denunciar a prisão e lutar pela liberdade do seu maior líder e se organizar para disputar (se ela vier a ocorrer, claro) as eleições deste ano que serão entendidas como um tira teima do Golpe 16.

Não seria tarefa fácil para qualquer partido do mundo. E por isso é covardia destacar os defeitos do PT ao invés de abordar a perseguição que tem sofrido. Que o faz ter uma vida muito diferente, por exemplo, da que leva o PSDB. Que mesmo tendo inúmeros de seus líderes denunciados, não é acossado pela justiça.

Se havia alguma dúvida acerca da diferença de tratamento, ela caiu por terra ontem quando a justiça encaminhou a investigação das doações da Odebrechet a Alckmin para a Justiça Eleitoral, tirando-a do âmbito da Lava Jato.

O escárnio já nem pede mais licença.

Dito isso, o PT mesmo perseguido e enfraquecido do ponto de vista organizacional pela forma como vem sendo tratado não tem direito a milongas. Precisará tomar decisões relevantes nas próximas semanas e elas irão de alguma forma definir o destino da centro-esquerda por uma boa parte do futuro próximo.

Se errar, isso pode levar Lula a amargar o resto da sua vida na prisão e tirar a centro-esquerda de disputar com chances as eleições presidenciais por muitos anos.

Com todo o respeito que merecem outros partidos da esquerda e da centro-esquerda, o jogo do futuro próximo do Brasil se define a partir do que acontecer com o PT.

E de todas as difíceis decisões que tem a tomar, a mais difícil é como vai disputar as eleições de 18 se elas vierem a ocorrer.

Hoje à boca pequena e às vezem nem tanto, são debatidas algumas hipóteses. A quase líquida e certa é que o PT vai registrar a candidatura de Lula. Quase tão certo como isso é que a justiça eleitoral vai cassá-la. E aí o partido terá pouco tempo para decidir sobre o que vai fazer. Levando em consideração, inclusive, que os arranjos estaduais já estarão definidos, lá para 10, 15 de setembro, quando isso vier a acontecer.

A partir desta definição o PT pode promover o vice de Lula para ser o cabeça de chapa. Correm com chance, hoje nesta ordem: Haddad, Jacques Wagner, Patrus Ananias e Celso Amorim.

Neste caso, quem vier a ser definido como vice deve ser o herdeiro da chapa. Até porque estará, se Lula tiver preso, fazendo campanha Brasil afora em seu nome.

O problema desta hipótese é que se o PT não levar o seu candidato ao segundo turno ele ficaria desmoralizado, porque perdeu no voto. Se for ao segundo turno e perder, da mesmo forma legitimaria o processo eleitoral e teria de ficar lutando para tirar Lula da cadeia, só que mais desarticulado e com menos força de discurso do que antes.

A outra hipótese que alguns começaram a aventar depois dos eventos de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos é que ele poderia estar pensando em fazer com que Boulos e Manuela formassem uma chapa conjunta para, no caso de ele não poder disputar, o PT vir a apoiar de forma indireta esta chapa, ficando fora da disputa presidencial, mas fortalecendo muito as candidaturas nos estados.

Por fim, a opção Ciro. Ele que poderia ser a primeira opção, hoje tem imensa rejeição no partido muito em decorrência da forma como se mexeu durante o episódio da caça ao Lula por Sérgio Moro.

O PT acha que Ciro não foi suficientemente leal neste episódio e atribui isso a sua sede pela presidência.

Mas se Lula bancar que o partido deve apoiá-lo, o PT o fará. E Ciro conta com a falta de opção de Lula para isso.

Ciro teria que neste caso fazer um discurso claro de que se viesse a ganhar seu primeiro ato seria indultar o ex-presidente. E que durante o seu governo Lula e o PT teriam papéis estratégicos.

Isso poderia levar o PT a Ciro mais por falta de opção do que de qualquer outra coisa.

Qualquer uma dessas decisões é muito difícil de ser tomada. E por isso o desafio é imenso.

Essa decisão tendo não só a decidir o futuro do partido, mas a vida de Lula. E, apesar disso, não é prudente que ninguém a tome isoladamente. Nem Lula.

 


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum