Dirigente nacional do PT diz que Lula deve ser “um inspirador, não necessariamente candidato”

Lula deve ser um inspirador do PT. Um fiador. Ninguém consegue entender melhor o âmago do trabalhador brasileiro do que Lula. Acho que ele deve ser o coordenador de um projeto que resgate o Brasil do obscurantismo. Não necessariamente como candidato.

Alberto Cantalice, atualmente membro da direção nacional do PT e diretor da Fundação Perseu Abramo, tem apresentado uma análise dura em relação aos resultados eleitorais do partido nas últimas eleições. Entre outras coisas escreveu no seu perfil do Twitter no último domingo: “Não se pode converter derrota em vitória. Derrota é derrota. O papel do dirigente político é o de buscar as causas das derrotas. Fora disso é autoengano, teimosia e autoengano”. Nesta entrevista ele explica melhor o que defende para o futuro do PT.

Rovai: Qual a sua avaliação das eleições de 2020 para o PT?
Cantalice: O PT acertou quando lançou candidatas e candidatos nas capitais e nas cidades acima de 200 mil eleitores. Esperava-se um resultado melhor do que 2016. E, entretanto, o crescimento foi pequeno. Houve uma alteração no perfil do voto no partido. Perdemos votos nos grotões, mas crescemos nas cidades grandes.

2: O que acha que o partido deve fazer para superar esse sentimento de antipetismo que se mantém alto?
O Partido sofre desde o episódio da ação penal 470 um cerco com vistas ao seu aniquilamento. Com a Lava Jato a demonização do PT e de sua liderança principal, Lula se intensificou. Nenhum partido na história brasileira teve mais tempo de mídia negativa nas TVs, no rádio, sites e impressos. Superar isso demandará um persistente trabalho coletivo. Não está sendo fácil.

3) Qual deve ser o papel de Lula para que o PT supere este momento difícil?
Lula é inegavelmente a maior liderança popular da história do Brasil. O PT e as esquerdas devem muito a ele. Acho que Lula deve ser um inspirador do PT. Um fiador. Ninguém consegue entender melhor o âmago do trabalhador brasileiro do que Lula. Acho que ele deve ser o coordenador de um projeto que resgate o Brasil do obscurantismo. Não necessariamente como candidato.

4) Como o PT deve discutir 2022? Deve buscar criar uma ampla aliança para derrotar o bolsonarismo ou deve ter outra tática eleitoral?
Como maior partido do campo progressista, é praticamente impossível o PT não apresentar um candidato em 2022. Agora, é preciso construir alianças. Em 2018 todos os governadores eleitos no Nordeste apoiaram o Haddad. O PT não precisa ter candidatos em todos os estados. Há quadros no campo progressista de variados partidos que podem, em 22, estar em uma situação melhor do que prováveis candidatos petistas nos estados. Por que não apoiá-los.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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Renato Rovai
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