FHC beijou a boca do fascismo e agora faz cara de nojo

Querer falar em "mal-estar" agora com 262 mil mortos pela irresponsabilidade do governo que ajudou a eleger é não só um desplante, é putaria mesmo.

Fernando Henrique Cardoso disse sentir “certo mal-estar” ao não ter votado em Fernando Haddad na eleição de 2018. Parece um discurso arrependido, de alguém que fez uma reflexão sobre o ato equivocado que cometeu, mas não se trata disso. É o rosnar de um covarde.

Fernando Henrique pode ser acusado de tudo, menos de ser alguém desprovido de informação e de inteligência política. Ele conhece a história do Brasil e suas vicissitudes. E sabia muito bem quão arriscado era entregar a presidência da República a um celerado que entre outras coisas defendeu em 24 de junho de 1999 no programa “Câmera Aberta”, da TV Bandeirantes, o fechamento do Congresso e a morte de “uns 30 mil, começando com FHC”.

Fernando Henrique sabia que Bolsonaro se tratava de um fascista. Mesmo assim ele preferiu namorar com o fascismo a tentar costurar com o candidato Fernando Haddad, que sabe ser um democrata, um pacto para isolar a extrema-direita.

Não foi à toa que Fernando Henrique ficou quieto no 2º turno de 2018. Ele fez um cálculo político. Que naquele momento o importante era derrotar o PT e avaliou que o establishment daria conta de domesticar a besta fera que se elegeria.

Sua avaliação era de que com a vitória, Bolsonaro aceitaria o jogo da política tradicional e não ousaria ultrapassar certos limites institucionais. E que se isso acontecesse, ele estaria ali para liderar com o seu PSDB um movimento de resistência.

Foi isso que o levou a beijar a boca do fascismo e dar de ombros para a ameaça que se colocava. Foi isso que o levou a sequer votar em Haddad.

A realidade se mostrou muito diferente do cálculo de FHC. Bolsonaro no governo só fez acelerar o discurso da antipolítica e radicalizou nas bandeiras fascistas. E FHC e sua turma se mostraram absolutamente fracos para resistir aos desvarios do novo presidente. Tornaram-se apenas torcedores de arquibancada, sem força no jogo concreto.

Fazer de conta que agora está com nojinho do beijo que deu não torna FHC mais puro. Pelo contrário, só mostra sua incapacidade de análise do jogo político e ao mesmo tempo sua falta de pudor em relação ao processo democrático. Até porque não foi Bolsonaro quem convidou FHC para dançar. Foi ele e seu PSDB que inventaram o BolsoDoria, por exemplo.

Querer falar em “mal-estar” agora com 262 mil mortos pela irresponsabilidade do governo que ajudou a eleger é não só um desplante, é putaria mesmo. Se quiser mudar de posição, que assuma suas responsabilidades na bandalheira. E que faça algo de concreto ao invés de só fazer cara de nojo.

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Renato Rovai

Jornalista, mestre em Comunicação pela ECA/USP e doutor pela UFABC. Mantém o Blog do Rovai. É editor da Fórum.

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