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21 de setembro de 2019, 09h26

Vocês vão deixar o facínora do Witzel continuar a dar pulos na poça de sangue de crianças pobres?

Que haja homens e mulheres assim, infelizmente é da condição humana. Que eles não sejam interditados e retirados da condição que lhes dá poder de transformar sua sede por sangue em política pública, é a nossa falência enquanto sociedade

Foto: Reprodução

Facínora é aquele que executa um crime com crueldade ou perversidade acentuada. Há muitos facínoras entre nós. Alguns assumidos. Outros que exercem sua perversidade de forma dissimulada. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que era juiz antes de se eleger (vejam o nível de certa parte do judiciário brasileiro), é um daqueles que usa sua crueldade como produto. Que publiciza a crueldade como os piores ditadores e canalhas da história mundial. Um pouco como faziam Hitler e Pinochet.

O salto no ar do facínora Witzel quando a polícia alvejou e matou um jovem com transtornos mentais que tomou de assalto um ônibus na ponte Rio-Niterói já deveria ter sido o suficiente para que ele fosse democraticamente interditado. Uma Assembleia Legislativa teria todos os ingredientes para um impeachment.

Ontem à noite a política de segurança pública do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fez mais uma vítima: Agatha Félix, uma menina de 8 anos que foi baleada na favela Fazendinha, do Complexo do Alemão, e morreu na madrugada deste sábado (21).

Agatha estava dentro de uma Kombi, indo para casa, quando foi atingida por um tiro disparado por um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Dá nojo ler a palavra pacificadora neste contexto.

O governador que deu pulo no ar ao ver o corpo de um jovem estendido no chão até o momento não soltou um tuíte falando do assassinato de Agatha. Está há 18 horas sem tuitar. Em silêncio obsequioso e respeitoso à sua política sanguinária.

Que haja homens e mulheres assim, infelizmente é da condição humana. Que eles não sejam interditados e retirados da condição que lhes dá poder de transformar sua sede por sangue em política pública, é a nossa falência enquanto sociedade.

O avô de Agatha disse o óbvio: “Não é a família do governador ou do prefeito ou dos policiais que estão chorando, é a minha. Amanhã eles vão pedir desculpas, mas isso não vai trazer minha neta de volta”, afirmou Ailton Félix, avô materno da criança, na porta do hospital.

E amanhã a gente vai tomar café, cerveja, assistir a próxima partida de futebol como se Agatha não tivesse morrido.

E Witzel vai continuar dando seus pulos. Comemorando a morte. Usando o sangue de gente pobre como moeda eleitoral. Como publicidade. E o Rio de Janeiro vai ficar assistindo isso? É uma pergunta. Vocês, meus amigos cariocas, vão no limite derramar duas lágrimas. Vão deixar este facínora sambando no sangue dos pobres? De crianças pobres…


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