Blog do Valdemar

política e teologia

17 de novembro de 2016, 18h55

Aprendizes de feiticeiros

Mobilizam forças, mas as mesmas fogem ao controle. Misto de deslumbramento e terror diante das consequências dos seus feitiços. O que aconteceu na Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Rio de Janeiro são dois extremos opostos.
Os reacionários perderam a compostura e a vergonha e partiram para cima em Brasília. Funcionários públicos prevendo a aprovação do pacote de maldades partiram para cima na cidade maravilhosa.
Depois do tempo da perplexidade vem a fúria. Reação fora de controle. Intensa energia de sofrimento seja porque o Brasil não é governado por uma junta militar ou porque o Estado do Rio é inadimplente com servidores “inativos” e ativos.
Os movimentos em curso estão fora do controle dos governos, partidos políticos, movimentos sociais e mídia publicitária (que deveria ser jornalística).
O editorial de hoje – 17/11/2016 – do Jornal O Globo vai precisar de reparos amanhã, uma vez que o ex-governador Sérgio Cabral foi preso. Repito, a invenção dos feiticeiros adquire corpos estranhos a cada dia. O bicho peçonhento não tem nome, muito menos reconhece os seus “donos”.
O extinto de sobrevivência não só inquieta herdeiros de militares de alta patente com a possibilidade de perda de privilégios do erário público, como aos servidores que enquanto esperavam a reposição salarial souberam que teriam que fazer “vaquinha” para cobrir o rombo feito pelo PMDB-RJ (Moreira Franco, Sérgio Cabral, Pezão, Eduardo Cunha, Eduardo Paes e cia).
Na página 16 do Jornal O Globo de 17/11/2016 a OPINIÃO do grupo coloca no mesmo lugar os que protestaram em Brasília e os que protestaram no Rio: “A baderna, a desordem, a estroinice de ontem expõem o caráter autodestrutivo, autoritário, com laivos fascitoides, dos manifestantes do Rio e de Brasília. Travestiram-se como black blocs em ofensiva aberta ao direito e à liberdade. ”
No mais, acusa falta de sintonia entre as manifestações e a sociedade brasileira. O editorial do Jornal O Globo alega dissonância: enquanto a sociedade agoniza tendo que pagar elevada carga tributária, há quem tenha interesses na burocracia inflada, pois, são beneficiários da máquina pública. Conclusão, a insolvência do Estado brasileiro tem relação direta com o custo do funcionalismo público.
No alto do seu poder de “informar” e traduzir o que seria a “alma” dos brasileiros de bom senso, os feiticeiros do Jardim Botânico preceituam:
“O pulso firme do governo com a própria base é essencial na condução de propostas fundamentais para o reequilíbrio das contas públicas na União, em estados e municípios. Sem isso não vai se avançar em reformas vitais à retomada da economia, como mudanças na previdência e na legislação trabalhista. ”
Para deixar tudo explicadinho sem precisar dizer a frase arrogante – “precisa desenhar? ” – os veranistas de Paraty contam com o artigo do nobre jornalista-economista Carlos Alberto Sardenberg sobre orçamentos e contas públicas, cujo título é: “Eis os culpados”.
Para bom entendedor meia palavra basta. Os culpados pelo rombo no Rio de Janeiro são os servidores e os aposentados. Governo com aquilo roxo ou com pé grande faz o que tem que ser feito: cortes, reformas, para reparar as “distorções”.
Linda a cena dos dois policiais abandonando as fileiras dos opressores e indo para o lado dos seus iguais. Que bela história! A ênfase do jornalismo publicitário é que os black blocs fardados foram presos porque mudaram de lado. Sugiro outro enquadramento: os aprendizes de feiticeiros conhecem os elementos dos feitiços, mas não controlam os resultados.
@ValdemarDema2

Veja também:  Presidente do TJ-RJ duvida de cartas escritas por crianças pedindo fim da violência no Complexo da Maré

Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum