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06 de agosto de 2010, 01h14

Cobrar por notícias na Web não funcionou

Texto publicado em: Carta Capital

Título no original:

Leitores em debandada geral

Felipe Marra Mendonça

Cobrança pelo acesso ao conteúdo on-line do Times londrino desaparece com internautas
Rupert Murdoch acaba de dar com os burros n’água: a internet não se dobrou coletivamente aos seus desejos de cobrar pelo acesso ao site do Times londrino. O desastre ferroviário teve início em novembro de 2009, como relatado nesta coluna, na edição 572, de CartaCapital.

Murdoch tinha dois objetivos. O primeiro era impedir que ferramentas de busca conseguissem indexar e oferecer resultados com links para os sites da sua empresa, a News Corp. O raciocínio, segundo entrevista da época, era que as ferramentas de busca essencialmente plagiavam o conteúdo de seus jornais. “São as pessoas que simplesmente pegam tudo e saem correndo, que roubam nossas matérias, que as pegam sem pagar. É o Google, é a Microsoft, é o Ask.com, um monte de pessoas.” O segundo era conseguir que os leitores de seu site passassem a pagar pelo material consumido. Acreditava que ter uma montanha de leitores não pagantes oferecia pouco valor para seus anunciantes e preferia ter menos pessoas acessando os jornais de sua empresa, desde que fossem usuários pagantes.

Pois bem, o Times (http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/www.timesonline.co.uk) foi o primeiro dos sites do grupo a testar a teoria de Murdoch e ergueu seu muro contra a escumalha não pagante em 2 de julho. A ideia era de que os usuários pagassem uma libra pelos primeiros 30 dias de acesso e depois duas libras a cada semana. Os assinantes da versão impressa teriam acesso gratuito. Antes do “fechamento” completo o jornal deu uma semana de acesso a quem se registrasse gratuitamente no serviço Times+. Uma nota publicada no site britânico Beehive City (http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/www.beehivecity.com), editado por três jornalistas saídos do Times, revelou a terra arrasada em que se tornou a edição virtual de seus antigos empregadores. Cerca de 150 mil leitores aceitaram registrar-se com o Times+, pouco mais de 12% do número de leitores do site durante o período gratuito. Desses, somente 15 mil aceitaram pagar pelo acesso ao Times. Ou seja, Murdoch conseguiu perder 98,8% dos leitores do site do Times ao passar a cobrar pelo acesso aos textos do jornal. Um fracasso retumbante.

Um exemplo bem menos traumático da transição da celulose para os bits foi dado na semana passada pela Amazon. A empresa anunciou um aumento na venda de seus livros eletrônicos a ponto de ultrapassar a dos livros de capa dura, formato em que os lançamentos são tradicionalmente colocados no mercado norte-americano. A Amazon vendeu 143 livros eletrônicos para cada cem livros de capa dura comercializados durante o último trimestre, uma relação que aumentou para 180/100 somente no mês de julho. Além disso, a empresa vendeu três vezes mais livros eletrônicos no primeiro semestre deste ano em comparação ao ano passado.

Os números são importantes, mas o mercado de livros eletrônicos ainda fica longe dos números de seus antecessores físicos. O mercado de livros nos Estados Unidos tem receita anual de 35 bilhões de dólares, mas os livros eletrônicos perfazem menos de 1% do total, com 81 milhões de dólares em receitas. A morte do papel, portanto, deve demorar um pouco mais.
Felipe Marra Mendonça é jornalista e escreve de Londres para CartaCapital


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