Convergência Midiatica

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
13 de outubro de 2010, 20h39

Datafolha comprova protagonismo da internet nesta eleição

Quando Dilma não foi ao segundo turno, algumas pessoas atribuíram o resultado ao poder da grande mídia e a força das igrejas. São duas instituições ainda com razoável poder de influência social, mas depois de ler a pesquisa Datafolha divulgada hoje arrisco dizer que a internet tem sido a bola da vez desta eleição.

Era uma suspeita que tinha já há alguns dias, mas que carecia de dados. Agora eles existem.

Segundo o Datafolha, 56% do eleitorado brasileiro costuma acessar a internet. Entre esses, 30% recebeu mensagens virtuais com críticas a algum dos presidenciáveis. Ou seja, 14% do total do eleitorado.

E quem era o alvo freqüente das mensagens desfavoráveis, principalmente Dilma. Quase a totalidade deste eleitorado de 30% recebeu mensagens atacando-a, 28%. Apenas 8% contra Serra e 2% contra Marina.

O Datafolha explica que a soma dos percentuais é superior a 30% porque alguns entrevistados receberam mensagens críticas a mais de um candidato.
O instituto também registra que a penetração dessas mensagens é menor entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental, 3%. E que têm renda mensal familiar de até dois salários mínimos, 6%. Já entre os mais escolarizados, esse tipo de informação difundida na internet chegou a 45%.
Foi na internet que teve início a desconstrução da imagem de Dilma. Histórias foram sendo inventadas e difundidas a partir de listas. A narrativa era mais ou menos a mesma. A candidata petista era apresentada como uma mulher sem escrúpulos capaz de qualquer coisa.

É verdade que depois essas histórias ganharam as ruas, os bares, os templos. Mas elas já estavam na internet. E aqueles que se tornaram difusores espontâneos dessas histórias já tinham como “provar” que ela era verdadeira. Mostravam emails contando detalhes daquilo que tagarelavam.

Um dos últimos e mais abjetos ataques a Dilma que vi ser difundido por email ainda no primeiro turno foi divulgado hoje pelo blogueiro Josias de Souza. Sinceramente, não sei o que o motiva a fazê-lo agora, porque a história é velha. Mas não quero entrar nesta polêmica.

Trata-se de um email com cópia de um processo contra Dilma que estaria sendo movido por uma ex-empregada. O motivo do processo: Dilma teria tido uma relação de casal durante 15 anos com a tal empregada e a deixou sem nada. A pessoa exigia reparações. O email é repleto de detalhes. É assinado por um advogado e sua OAB inclusive é divulgada. Claro que tudo é falso. Nem OAB nem advogado existem.

Mas um email impresso correndo na sala de uma casa classe média, com OAB e nome do advogado à vista, tem um poder imenso. Da mesma forma numa casa de periferia. Com um agravante. As pessoas mais simples acham que o fato de o documento ter “vindo da internet” é uma garantia de idoneidade.

O curioso, porém, é que os “especialistas” imaginavam que a internet poderia ser usada como plataforma de mobilização de campanha, como foi no caso Obama.

Mas nesta eleição brasileira ela foi arma de guerrilha, de anti-campanha.

Mesmo assim tem gente ainda achando que ela teve um papel secundário nesta eleição. A pesquisa Datafolha, porém, soterrou essa hipótese.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum

#tags