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11 de outubro de 2010, 11h49

Desafios para a programação televisiva

Texto publicado em: Observatório da Imprensa

Por Valério Cruz Brittos e Andres Kalikoske em 5/10/2010

Um processo contínuo de diminuição da audiência tem atingido a televisão mundial, mais significativamente a TV aberta, durante os últimos 20 anos. Tal fenômeno ocorre, em parte, pela proliferação das operadoras de televisão por assinatura, que promovem um incremento substancial do número de conteúdos, com a propagação de canais pagos. Embora este não seja um dado totalmente novo – em países como a Argentina, por exemplo, o serviço surgiu na década de 1960 e foi fortemente difundido nos anos 1970 – é a partir dos anos 90 do século 20 que a quantidade de programadores aumenta exponencialmente e a audiência desses canais é ampliada. Novas demandas dos públicos e inovações tecnológicas sustentam a reordenação deste quadro, no âmbito da chamada Fase da Multiplicidade da Oferta (FMO).

Ao lado da questão propriamente televisiva, devem-se considerar as novas possibilidades de entretenimento, hoje com alto grau de acessibilidade ao telespectador da televisão tradicional, como games e internet, sendo esta última, através das múltiplas possibilidades de interatividade, a principal responsável pela fuga da audiência. A internet constitui-se cada vez mais como uma supermídia, que engloba as demais, de forma que até a TV está hoje disponível na web, com conteúdos de sistemas televisuais convencionais (abertos e por assinatura) e exclusivos. Nessa direção, a disputa dá-se não somente intramídia, mas também intermídia: nesta FMO, organizações culturais de todo tipo e atuantes em toda sorte de suporte competem pela conquista da atenção do consumidor.

No Brasil, dificilmente as telenovelas da TV Globo repetirão a audiência registrada há 20 anos. Para o SBT – caso ainda mais complicado, pela indefinição estratégica que rege sua programação –, também é pouco provável voltar a registrar os 20 pontos que facilmente obtinha, ao exibir produtos latino-americanos e programas de auditório. Nesta conjuntura, permanece a clássica disputa de audiência aos domingos, em que o Fantástico tenta reinventar sua fórmula desgastada e o tradicional Programa Silvio Santos, numa reação inversa, vem apresentando índices muito bons, mesmo com formatos do passado, que ainda permeiam o imaginário popular. A disputa intensifica-se hoje com a presença da Record, com o Domingo Espetacular, um clone do Fantástico cujos resultados de audiência têm sido muito bons.

Renovação e reinvenção

A renovação ocorre nos mais diversos âmbitos. Não está, portanto, restrita apenas ao avanço tecnológico, mas fortemente vinculada ao fator artístico. Um exemplo: Maria da Graça Xuxa Meneghel, a Xuxa, e Eliemary Silva da Silveira, a Mara Maravilha, não possuem mais espaço nas programações da televisão brasileira com os desgastados formatos de programas infantis que ambas conduziam desde o final dos anos 1980. Por isso, entre outras variáveis, ambas não estão diariamente na TV. Por outro lado, Angélica Ksyvickis e Eliana Michaelichen souberam se renovar, sendo hoje os melhores exemplos de gestão de carreira da safra de apresentadoras infantis. Portanto, entende-se que o atual momento televisivo não deve ser enfrentado como uma crise, mas sim como uma era onde a concorrência com as mídias digitais pode significar enxugamento de seus negócios, caso não seja realizado o incremento necessário.

Nesta reconfiguração, os grupos tradicionais têm buscado diversificar seus investimentos para sustentar o negócio de televisão aberta. O rentável setor de telefonia já se apresentou como um mercado de ingresso inviável para os radiodifusores – no caso da TV Globo, seus investimentos no setor resultaram em uma enorme dívida. No que tange à programação, as principais apostas têm sido os shows de realidade e demais formatos, já testados internacionalmente. Para a ampliação dos lucros, há necessidade de um novo sistema de gestão, com financiamento procedente do próprio setor midiático (como a publicidade, está desafiada nestes tempos de intervalos comerciais zapeados), e que não precise contar com instituições religiosas, jogos de azar ou suas derivações. Demanda-se por um novo modelo televisual, que sustente as audiências e os negócios, convergindo com os demais meios.


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