Fala que eu discuto

Lelê Teles Formado pela Universidade de Brasília, Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário. É roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil) e da série De Quebrada em Quebrada (Prodav 09). Sua novela, Lagoas, foi premiada na Primeira Bienal de Cultura da UNE. Discípulo do Mestre Cafuna, prega o cafunismo, que é um lenitivo para a midiotia e cura para os midiotas.

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20 de novembro de 2016, 12h05

O Brasil de Barrichello descobriu Cabral

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mas só agora, esse lentíssimo senhor juiz?
desde 2009 Cabral andava por aí, rico, gastão, farreando com empreiteiros e coberto apenas por um guardanapo na cabeça.
como fingir que não o viam?
a esposa se escondia atrás de um anel de 800 mil lascas dado por Cavendish, o empreiteiro da família.
procure no Pai Gugo as fotos da mansão que Cabral tem em Angra.
luxo dos luxos.
todo mundo sabia que o governador vivia como um milionário.
a mulher de Cabral, Adriana, ostentava tanto quanto aquela zoiuda de Cunha, e o pior, ela era parte ativa nas maracutaias.
pergunta: por que diabos esperaram Cabral quebrar o Rio pra depois quebrarem as pernas dele?
porque, infelizmente, tudo isso é apenas espetáculo, o show deve continuar.
essa do Garotinho esperneando é um prato cheio pra quem tem fome de desinformação.
Garotinho é um péssimo ator, ele já havia demonstrado isso naquela infame greve de fome.
dessa vez ele vinha deitadão numa maca, na horizontal,  parecia um moribundo. de repente, ele tem um rompante e se saracoteia, esperneia, reluta como um gato forçado a entrar numa bacia d’água.
com isso, ao invés de tornar desumana a sua prisão – era o que ele pretendia – só fez a coisa ficar mais ridícula.
e assim, a Globo se vingou de Garotinho tornando-o motivo de chacota.
agora vão começar a prender os cabras a conta gotas: o Garoto, Cabral, depois Paes, Big Foot…
e a midiaZona ganha mais uma série para espetacularizar.
porque as coisas estavam mornas demais desde a civilizada prisão de Cunha.
a prisão de Cunha, curiosamente,  não aguça a curiosidade dos curiosos,  nem dos perdigueiros a imprensa.
Cunha tá lá, esquecidão,  como se não tivesse nada a dizer.
com Dirceu todo dia tinha notícias do cárcere: o que ele comia, como dormia, se tava lendo, botaram até escuta na cela para ouvir o som de seus flátulos.
agora, senhoras e senhores, sem a prisão de Lula e sem a presença de Cunha, falta pauta na imprensa.
vamos de Cabral, de Garotinho…
“desenterrem uma múmia”, grita o diretor de redação.
essa de pedalinhos, piscina do Alvorada, “como o senhor conheceu Marcela”… nada disso tem conteúdo para uma novela.
falta drama, faltam capítulos, falta gente na rua protestando, falta alguém saindo do hospital numa maca, esperneando, cercado de policiais armados, com esposa e filha aos gritos, pedindo clemência…
opa, não falta mais.
Garotinho e Cabral – até aquela senhora que confundiu a bandeira do Japão com um símbolo do comunismo o sabe – estavam por aí desde que Cunha era um molecote e sempre fizeram o que estão a fazer.
por que só agora e de forma tão espetaculosa?
o lance é o seguinte, irmão: enquanto uns farsam, outros disfarçam.
palavra da salvação.

 


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