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21 de maio de 2013, 12h19

2014 será animado, só que não

Acho que o ministro Joaquim Barbosa é bem mais do que o retrato traçado no comentário de Fortes que reproduzo abaixo, Aécio é e será Aécio.

Será interessante para Barbosa, para os que o idealizam, para os que o detratam, assim como para o Brasil termos a experiência de um candidato negro à presidência da República. 

A primeira coisa que virá à tona será a barbárie do racismo nos discursos dos diferentes espectros ideológicos, a segunda será a ficha dos que o idolatram ou o detratam cair para que possam constatar que Joaquim não é nem o inimigo nº 1 da esquerda, quiça o salvador da pátria da direita ou a redenção do povo negro no poder.

Quem sabe possamos todos os que de fato desejam ampliar a democracia neste país, finalmente investir na luta pela reforma política?

SALVADOR DA PÁTRIA

Por Leandro Fortes, via Facebook

21/05/2013

Ninguém pode negar ao ministro Joaquim Barbosa o direito à crítica. Nem o direito de estar certo – o que, aliás, acontece até com um relógio quebrado, duas vezes ao dia.

O Brasil tem, sim, partidos de mentirinha montados sobre interesses muito distantes das urgências coletivas e moldados apenas para projetos de poder de curto prazo. E é fato, também, que a dinâmica da engenharia política do Congresso Nacional é quase que exclusivamente bolada para atender as demandas do Poder Executivo.

Barbosa está certíssimo.

Agora, ninguém pode ser ingênuo de imaginar que o presidente do STF falaria isso para uma plateia de estudantes, durante um evento gravado, sem saber da imediata repercussão que se seguiria. Foi um risco bem calculado para desagradar o governo e o PT, como desagradou, alfinetar a OAB e deixá-lo disponível no mercado eleitoral de 2014.

Barbosa aposta, justamente, na despolitização do debate e coloca-se na manjada posição do homem do povo contra os políticos profissionais, do herói de toga do mensalão pronto a libertar Sodoma de seus vícios sociais abomináveis, aquele que virá nos redimir. Assim, nada presta: nem os advogados, nem os juízes, nem o Congresso Nacional, nem o governo, nem, em última análise, o País. Talvez seja por isso que ele prefira ir à praia em Miami.

Barbosa, o juiz implacável e irascível, é um Frankenstein criado pela mídia que, apesar dos esforços, ainda não está totalmente controlado. Cometeu, recentemente, o erro de agredir verbalmente um repórter de O Estado de S.Paulo e, em seguida, pagar a viagem de um repórter de O Globo para fazê-lo ouvir, em Costa Rica, que a imprensa brasileira é de direita – com direito a matéria no Jornal Nacional e tudo.

Normalmente, as Organizações Globo não perdoam esse tipo de deslize. Mas as opções para 2014 estão cada vez mais escassas. José Serra, de alternativa, virou um estorvo. Aécio Neves é uma dessas falsas incógnitas. Apesar da pele morena e dos dentes ultrabrancos, ainda é somente uma máquina de clichês antipetistas carente, urgentemente, de um upgrade. Para elegê-lo, será preciso um esforço logístico e financeiro 100 vezes maior do que o utilizado nas eleições de Fernando Collor, em 1989, e Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998.

Resta Barbosa, o homem que, perigosamente, diz o que lhe vem à telha. E qualquer um que já tenha vivido uma eleição presidencial sabe exatamente o desastre anunciado que isso representa.


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