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27 de setembro de 2009, 20h58

A série Nova África ganhou um blog, visite-o!

Em 25/09, dia da estreia da série Nova África exibida todas às sextas-feiras, às 22 horas, na TV Brasil, também foi dia do lançamento do blog da série: Blog Nova África

Página de rosto do Blog Nova África. Clique aqui para visitá-lo.

Página de rosto do Blog Nova África. Clique aqui para visitá-lo.

Reproduzo de lá o primeiro post escrito pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, diretor da série e co-autor do projeto editorial.

CHEGANDO

Caros leitores, sejam bem-vindos. A foto acima, do abraço da repórter Aline Midlej em um ‘pigmeu’ na floresta de Ituri, na República Democrática do Congo (RDC), foi tirada pelo produtor Paulo Eduardo Palmério, o Padu. Os dois e o Henry Ajl, que é cinegrafista e um dos diretores da revista Nova África, infelizmente não poderão ver a estreia do programa, que acontece nesta sexta-feira (25), às 10 da noite, na TV Brasil. Mas eles vão se manter informados através deste blog.

Vamos estrear com um programa gravado na ilha de Moçambique. Foi um porto importante na rota das grandes navegações. Fomos até lá resgatar um pouquinho da história do Brasil, já que na ilha foi exilado o poeta Tomás Antonio Gonzaga, condenado por participar da Conjuração Mineira. Mas tratamos também de assuntos contemporâneos, como a crescente influência das emissoras de TV brasileiras captadas em Moçambique, a Globo e a Record.

Na primeira temporada, a revista semanal Nova África terá 26 capítulos de meia hora cada. Como vocês sabem, o Brasil e porções importantes da África já fizeram parte da mesma unidade econômica, sob o império português. Éramos, como bem definiu o historiador Alberto da Costa e Silva, as duas margens de um “rio chamado Atlântico”. Os portugueses eram intermediários de capitais europeus, o Brasil entrou com a terra e o sol, a população indígena  e os africanos com os braços e seus saberes. O açúcar ajudou a financiar a revolução industrial, mas gerou quase nenhuma riqueza local. É um tema recorrente, tanto na história da América Latina quanto da África: a riqueza foi embora deixando poucos beneficiários locais.

Desde então tanto o Brasil quanto a África se viram livres do colonialismo. Mas não nos livramos completamente, ainda, da herança cultural dele. A ocupação da África pelos europeus foi acompanhada de uma “ofensiva intelectual” que negou a História e a cultura locais. A África foi descrita como um grande vazio, lugar da barbárie e do canibalismo. Aos africanos foi negada a humanidade. Eles eram ora vítimas de outros povos igualmente “bárbaros”, como os árabes, ora agentes da superstição e da maldade. O mito do homem negro lascivo e indolente foi socialmente construído para justificar a tomada de terras e a negação de direitos.

É por isso que nós, da revista Nova África, achamos que é preciso “redescobrir” a África com uma perspectiva brasileira que abandone a folclorização e leve os africanos a sério como protagonistas de sua própria história. Sem paternalismo. Sem condescendência. Reconhecendo a capacidade que os africanos tiveram de resistir a eventos traumáticos para qualquer sociedade, como a escravização em massa, a expropriação de terras e a imposição de fronteiras arbitrárias.

De onde eles tiram a força para resistir a tantas adversidades? Será que ao entendê-los vamos nos entender melhor?

Para a repórter Aline Midlej, a revista Nova África será também uma viagem de descoberta pessoal: as raízes dela se perdem no continente. O mesmo se pode dizer de muitos outros brasileiros. Ao longo das gravações, vamos registrar a busca da Aline pelo “reconhecimento”.

Neste espaço, daremos informações adicionais às do programa. Recomendaremos livros. Vídeos. Publicaremos entrevistas. Ouviremos sugestões e reclamações. Queremos transformar o blog em uma esquina da África no Brasil. Contamos com sua ajuda para fazê-lo.

Obrigado pela visita,

Luiz Carlos Azenha


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