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05 de outubro de 2010, 18h04

Amon: Porque votei e voto na Dilma e no PT

Por: Amon B. em seu Blog

Eu votei na Dilma no primeiro turno e acho importante dizer o porquê de repetir a escolha no segundo. Eu optei pelo voto na candidata do PT. Esse é o primeiro ponto que gostaria de deixar claro. Por mais que parte das pessoas defenda ferrenhamente que não há mais partidos no Brasil, acredito que esse discurso serve apenas àqueles que querem fazer com que todos sejam vistos sob a mesma lente. O DEM é herdeiro do Arena, o PSDB um partido de intelectuais que criaram uma dissidência do PMDB e o PT um partido que se fundou nos movimentos sociais e com bases nas lutas sindicais ocorridas no Brasil e em especial em São Paulo. Há, é claro, outros partidos cada um com suas histórias, o PC do B, o PCB, o PSOL, o PSTU e o PPS, por exemplo. O que quero salientar é que todas essas agremiações tem especificidades que dificilmente podem ser negadas.
Há que se considerar também que um presidente não governa sozinho. Ele se vale do apoio do(s) partido(s) que suporta(m) seu governo. Assim, necessariamente haverá uma orientação para que os ocupantes de postos importantes sejam alinhados ao partido que está no poder. Sendo assim, não deveria ser assustador que membros dos partidos de sustentação do governo ocupem ministérios e cargos de confiança. Além disso, não se pode negar que as decisões devem atender a critérios técnicos, mas que sempre existirão critérios políticos permeando qualquer ação, ainda mais dos agentes públicos. Negar a ideologia é um caminho para escapar da discussão político-ideológica. A quem isso interessa?

Ressalto ainda que voto em Dilma Roussef porque admiro o passado dela de luta contra a ditadura militar. Já me surpreendi mais de uma vez com conhecidos e pessoas pelas quais eu tenho apreço chamando a candidata do PT de terrorista e de criminosa. Ora, ela foi terrorista – e havemos de considerar que quem lhe colocou essa pecha foi o governo ditatorial – num contexto em que essa palavra remetia não apenas à luta armada, mas também à participação em organizações políticas clandestinas: todas que o governo ditatorial não reconhecia. Dilma Roussef não foi presa por ter participado do sequestro do Charles Elbrick, nem por ter roubado o cofre de Ademar de Barros. Foi presa por agitação política. Foi torturada porque os militares queriam que ela delatasse seus companheiros. Se alguém quer saber como eram as práticas de tortura, podem conhecê-las aqui.

Reforço que o sequestro de Charles Elbrick não foi um ato violento no sentido estrito do termo. O próprio deu uma declaração, já nos EUA, de que foi bem tratado pelos sequestradores, dentre os quais apenas uma mulher: Vera Magalhães, que foi presa poucos meses depois já em 1970 e libertada numa troca por outro embaixador. Ela estava de cadeira de rodas, devido às torturas sofridas na prisão. Torturas essas que não eram reconhecidas como práticas legais nem pelo governo ditatorial e que são consideradas como crime contra a humanidade, por isso, imprescritíveis.

É bom salientar que a opção pela luta armada, olhada retroativamente pode não parecer a opção correta. Mas, o que fazer se àquela época essa possa ter parecido a única opção para vários jovens e, também, outros sujeitos? Claro, existiram pessoas que conseguiram ir por outras vias, seja a agitação política clandestina nos sindicatos, seja a ação nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), seja a militância restritíssima no MDB ou, não esqueçamos, a conivência com o regime. Não podemos esquecer que o próprio José Serra, bem como o Fernando Henrique Cardoso, foram para o exílio, bem como diversos outros intelectuais, por causa de seus pensamentos. Você seria conivente?

Voto na Dilma Roussef, também, porque acredito que o Estado cumpre um importante papel em qualquer sociedade contemporânea. Especialmente no Brasil, um país rico, mas absurdamente desigual acredito que o Estado pode ser um importante instrumento para a redução das desigualdades, que o mercado jamais eliminaria. Reforço que o ideal liberal de que há uma igualdade de oportunidades para que os sujeitos ascendam pelo esforço são contos sobre casos excepcionais.

Escolho o programa do PT porque foi ele o partido que trouxe à baila a discussão sobre a necessidade de se universalizar o acesso à banda larga (programa ao qual o DEM [ex-Arena] se opôs). Escolho o programa do PT, porque foi no governo Lula que foram criadas as secretarias especiais para os direitos humanos e para o direito das mulheres, que mostram o compromisso do partido com essas causas. Optei pelo programa petista, porque entre 2007 e 2009 a desigualdade no país caiu mais do que em toda a década passada. Foi o PT, também, que ampliou o número de vagas públicas no ensino técnico e superior e que recompôs os salários dos professores, de modo a interromper um sucateamento que foi levado à cabo durante todos os oito anos do governo do PSDB capitaneado por FHC. Foi no governo petista, também, que foi aprovado o piso salarial para os professores do ensino médio e fundamental.
Sei que o governo levado a cabo padeceu de problemas. Não sou cego a eles. A ortodoxia monetária e o monismo das taxas de juros como única solução para a questão cambial permaneceu. Contudo, acredito que o PT é o partido que tem mais força para tentar mudar essas práticas, muito mais do que o PSDB. Sei que o governo petista fez alianças com o PMDB de Sarney, com o PP do Maluf e com o PTB do Collor (três políticos que apoiaram a ditadura enquanto lhes convinha). Contudo, acredito que no Brasil para se governar deve-se fazer alianças com partidos que lhes permita ter a aprovação de matérias no congresso. Para que seja possível que fujamos disso é necessária a reforma política e, também, que haja um partido forte disposto a fazê-lo, por isso votei no PT e no PC do B para reforçar a posição de ambos na câmara e no Senado.
Teria ainda outros pontos a comentar, mas o texto foi ficando muito grande e resolvi parar por aqui. O governo conta com outros méritos e com outros pontos que devem ser reconsiderados num próximo mandato. De toda maneira, quero reiterar aqui minha opção que, na medida do possível, foi racional, ponderada e passível de questionamentos. Votei em Dilma Roussef e, mais do que nela, no Partido dos Trabalhadores, porque acredito que na atual conjuntura essa é a escolha que me pareceu mais interessante para que o País possa superar as dificuldades que enfrenta, abrindo espaço para a participação da sociedade civil, sem substituir a política pela técnica que se apresenta neutra, mas nunca o será.
Teria ainda outros pontos a comentar, mas o texto foi ficando muito grande e resolvi parar por aqui. O governo conta com outros méritos e com outros pontos que devem ser reconsiderados num próximo mandato. De toda maneira, quero reiterar aqui minha opção que, na medida do possível, foi racional, ponderada e passível de questionamentos. Votei em Dilma Roussef e, mais do que nela, no Partido dos Trabalhadores, porque acredito que na atual conjuntura essa é a escolha que me pareceu mais interessante para que o País possa superar as dificuldades que enfrenta, abrindo espaço para a participação da sociedade civil, sem substituir a política pela técnica que se apresenta neutra, mas nunca o será.

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