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27 de janeiro de 2014, 15h25

Andre Borges sobre a manifestação contra Copa em São Paulo: “Meninos eu vi”

Passeata “Não Vai Ter Copa” na rua Xavier de Toledo, Centro de São Paulo, 25/01/2014.

MENINOS EU VI ! (OU QUASE VI)

Por: Andre Borges Lopes

27/01/2014

Eu não fui à manifestação do sábado, mas a manifestação veio a mim. Eu estava defronte o Teatro Municipal acompanhando a xepa das barracas de comida dos “chefs” quando a passeata chegou acompanhada do que eu calculo que seja uns 20% do contingente da gloriosa Força Pública na Capital. Os fardados provavelmente já estavam meio putos já que as folgas de sábado tinham sido canceladas e eles estavam “escoltando” a pé a garotada desde a Avenida Paulista, até então sem maiores contratempos.

Registrei no celular o Abre Alas subindo a Xavier de Toledo rumo à Biblioteca Mario de Andrade. O vídeo esta aí para quem quiser ver com seus próprios olhos a heterogênea composição sócio-etária-antropológica desse pequeno exército de Brancaleone. Arrisco a dizer que não havia mais do que uns 700 ou 800 passistas – incluindo uns gatos pingados na Velha Guarda e na Ala das Baianas. Todo o cortejo não ocupava meio quarteirão, contado da Comissão de Frente até a linha dos milicianos fardados que encerrava o desfile trajando vistosos coletes fluorescentes (vou postar umas fotos nos comentários). A grosso modo, estimo que a quantidade de meganhas superasse a militância numa vantagem de 2 para 1.

Momentos antes, o Sétimo de Cavalaria Motorizada da Força Pública havia emergido de surpresa das matas da praça Dom José Gaspar com suas motocas e feito uma sonora demonstração de carga ligeira rumo aos baixios da Rua Augusta. Mas no momento da filmagem já estava tudo em relativa paz. Pelo que eu vim a saber depois, nessa altura da passarela a ala Black Bloc tinha se dispersado (ali nas imediações do Municipal), e já estava ocupada quebrando uns bancos na Sete de Abril e apanhando da “massa popular alienada” no show de black music da Praça da República.

No cruzamento da Av. São Luis o clima começou a ficar mais tenso. As Waffen-SS do Choque se apresentaram com seus pesados uniformes de combate e a ala dos milicianos fluorescentes passou a exercer nervosamente o pequeno poder de impedir os transeuntes de virar a esquina rumo à Praça da República. Como até aquele momento o protesto não tinha rendido boas imagens, alguém resolveu facilitar o trabalho dos fotógrafos dos jornais e tacou fogo numa caçamba de lixo na subida da Consolação – o que causou um belo efeito visual na luz do crepúsculo. Era a deixa que a artilharia da PM esperava para começar a queima de fogos e forçar a dispersão do cortejo com a delicadeza que lhe é peculiar.

Como eu não estava particularmente a fim de fornecer o meu lombo para o descarrego das tensões e frustrações mundanas dos milicianos, achei melhor ir tomar uma gelada no Lanches Estadão, que estava lotado e barulhento como de costume. Só fui chegar na Rossevelt uma hora mais tarde, quando a carcaça do pobre Fusca do Seu Itamar serralheiro ainda fumegava, depois de ter roubado a cena e garantido a capa dos jornalões do dia seguinte. A meio quarteirão dali, o samba e cerveja rolavam soltos nos botecos lotados da rua Cesário Mota, onde o povo folgazão se divertia – alheio à opera bufa que fechava as cortinas na praça dos Parlapatões.


A visão do cartunista Vitor Teixeira sobre o movimento


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