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03 de junho de 2010, 17h41

Dica de leitura: Tempos de Casa-Grande

Rebeca Oliveira Duarte, do Observatório Negro, manda-me um convite, cuja convocatória é quase irrecusável. Se não fosse em Recife, eu estaria lá também. Recifenses, não percam! Eu vou já providenciar o meu exemplar :).
Ah! Quem apresenta o livro é a historiadora uspiana Maria Luiza Tucci Carneiro.

Pessoal,
Lembro que o movimento negro participou do lançamento do livro do famigerado Demetrio Magnoli, para resistir às falácias do seu livro. Agora creio ser o momento de participarmos desse lançamento para aplaudir a autora.
Rebeca

Tempos de Casa-Grande, antes de ser polêmico, é um livro corajoso por colocar em cena uma faceta pouco conhecida de Gilberto Freyre: a de intelectual racista e, em particular, antissemita.

Integra-se ao conjunto de estudos que, nestas últimas décadas, têm revisitado o pensamento do grande “Mestre de Apipucos”.

Silvia Cortez Silva não se furta de reconhecer uma das marcas mais importantes da obra freyriana e que, muitas vezes, foi eclipsada pela força do mito da democracia racial. Demonstra como o racismo e o racialismo foram acobertados por interpretações do próprio Freyre que, em Casa-Grande & Senzala, insiste na ideia de que a mestiçagem é o principal traço da identidade brasileira.

Ao analisar os textos de Freyre, a autora traz uma contribuição especial: nos instiga a reavaliar uma das mais importantes interpretações sobre o Brasil na década de 1930. Se Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, é um “divisor de águas” na história do livro e da cultura brasileira, Tempos de Casa-Grande, de Silvia Cortez Silva, é um marco na historiografia brasileira.

Através de uma linguagem perspicaz inspirada na mitologia grega, a autora realiza uma verdadeira arqueologia do saber construído por Freyre. Tarefa difícil, apesar do tempo de Silvia ser outro, distanciado dos “tempos de Freyre”, tempo morto, tempo de aprendiz, tempo de intolerância, tempo de integralismo e autoritarismo. Inquieta diante da força dos mitos, a autora não tem medo da fúria de Éolo.

Este livro é uma afronta oportuna ao mito da democracia racial que, assim como a Fênix, renasce das cinzas.

[Maria Luiza Tucci Carneiro – Universidade de São Paulo]

Silvia Cortez Silva é historiadora, professora da Universidade Federal de Pernambuco e doutora em História Social pela FFLCH-USP. Publicou artigos em revistas e livros, analisando temas como livros proibidos, intelectuais e antissemitismo.


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