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14 de novembro de 2007, 19h28

Mês da Consciência Negra

Veja também o que já foi postado sobre o tema acessando os arquivos de novembro de 2006.

Antes das matérias uma reflexão a la Vinicius de Moraes

Pátria Minha

Vinicius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”

Texto extraído do livro “Vinicius de Moraes – Poesia Completa e Prosa”, Editora Nova Aguilar – Rio de Janeiro, 1998, pág. 383.
Mulheres negras são mais vulneráveis ao desemprego e a trabalhos precários, diz estudo do Dieese

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
13 de Novembro de 2007 – 16h11 – Última modificação em 13 de Novembro de 2007 – 16h11

Brasília – Embora as mulheres negras tenham mais estudo que os homens negros, elas são mais facilmente atingidas pelo desemprego. A conclusão está na pesquisa Escolaridade e Trabalho: Desafios para a População Negra nos Mercados de Trabalho Metropolitanos, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A média de estudo entre as mulheres negras é de 9,6 anos e entre os homens negros é de 8,9 anos.

No Distrito Federal, por exemplo, o desemprego atinge 22,4% das mulheres negras frente a 16,4% dos homens da mesma raça. Em Salvador, 26,3% delas estão desempregadas, enquanto entre eles esse percentual é de 20,7%.

A pesquisa foi realizada em cinco regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e São Paulo) e também no Distrito Federal.

As práticas discriminatórias são apontadas como um dos fatores que explicam o porquê de a maior escolaridade não se traduzir, necessariamente, em melhor ocupação, explica o coordenador da pesquisa de emprego e desemprego do Dieese, Antônio Ibarra. Outro motivo, segundo ele, é que a discriminação leva as mulheres negras a serem mais suscetíveis a trabalhos fora da rede de proteção social, ou seja, sem carteira assinada e sem direito aos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Há práticas discriminatórias em relação a essas mulheres e elas também acabam tendo acesso mais fácil a trabalhos como de doméstica. Isso é mais comum entre as mulheres negras do que as brancas”, afirma Ibarra.

Em São Paulo, 48% das mulheres negras ocupadas estão em situação de trabalho vulnerável. No caso dos homens esse percentual cai para quase 31%. Em Porto Alegre essa diferença é ainda maior, são 46% das mulheres negras e 28% dos homens.

Se comparados aos dados de não-negros, o índice de ocupação em trabalhos que estão fora da rede de proteção social cai. Em São Paulo, 33% das mulheres brancas estão empregadas em trabalhos vulneráveis e 25,5% dos homens. Já em Porto Alegre, são 31,7% das mulheres e 24% dos homens.

Para Antônio Ibarra, escolaridade é a palavra-chave para reduzir essas desigualdades. “O melhor caminho, sem dúvida, é que quanto maior a escolaridade, menores são as diferenças salariais e menor a vulnerabilidade que a pessoa tem em sua ocupação.”

O pesquisador aponta a aplicação de ações afirmativas – como a política de cotas nas universidades – como forma de aumentar a escolaridade entre os negros.

Estudo do Dieese mostra que negros têm ganho mensal menor do que o dos brancos

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
13 de Novembro de 2007 – 15h35 – Última modificação em 13 de Novembro de 2007 – 18h34

Brasília – Estudo realizado em regiões metropolitanas do país mostra que o ganho mensal dos negros é menor do que o dos não-negros. Em Salvador está a maior disparidade. O rendimento médio mensal dos negros é de R$ 715, o que representa apenas 52,9% do rendimento médio dos brancos que é de R$ 1.350.

Os dados fazem parte da pesquisa Escolaridade e Trabalho: Desafios para a População Negra nos Mercados de Trabalho Metropolitano e foram colhidos pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). As regiões pesquisadas foram Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e São Paulo e também o Distrito Federal.

A pesquisa mensura ainda como o rendimento por hora de trabalho sofre efeito direto da escolaridade. Em Belo Horizonte, por exemplo, a média de rendimento
por hora para homens negros é R$ 5,74 para os que têm ensino médio completo e R$ 17,72 para quem já completou o nível superior. Em relação a mulheres negras, também em Belo Horizonte, os rendimentos são respectivamente de R$ 3,72 e R$ 13,63. O acréscimo de acordo com o grau de escolaridade segue a mesma tendência em todas as regiões pesquisadas.

“Quanto maior a escolaridade, menores são as diferenças salariais e menor a vulnerabilidade que a pessoa tem em sua ocupação, ou seja, quanto mais se estuda, principalmente quando se chega a um nível universitário completo, você tem mais chance de ter uma ocupação mais estável e um melhor rendimento”, avalia o coordenador da pesquisa de emprego e desemprego do Dieese, Antônio Ibarra.

Ele aponta a aplicação de ações afirmativas – como a política de cotas nas universidades – como forma de aumentar a escolaridade entre os negros e assim garantir melhor ocupação e rendimento. “O sistema de cotas é apenas um dos pontos de todo um sistema de ações afirmativas que necessita ser debatido pela sociedade.”

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20/11/2007 – 01h52
Negros morrem mais de homicídio; brancos, de doença

da Folha de S.Paulo
Assim como indicadores de renda e escolaridade, o padrão de mortalidade também reflete a desigualdade racial no Brasil, de acordo com estudo feito por pesquisadores da UFRJ e divulgado em matéria de Antônio Gois, na Folha de S.Paulo (disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo o trabalho dos pesquisadores Marcelo Paixão e Luiz Carvano, desenvolvido entre 1999 e 2005, as principais causas de mortalidade de homens negros são externas, como homicídios. Já os brancos morrem mais por doenças.

Desde 1999, as taxas de morte por homicídios, HIV e tuberculose caíram em ambos os grupos, mas mais entre os brancos, conforme os dados do SUS (Sistema Único de Saúde) em que o estudo se baseou. A mortalidade de negras por problemas no parto supera a das brancas.

O percentual de mortes por causas mal definidas, indicador de atendimento médico mais precário, também é maior entre negros.

Violência é a maior causa de mortes entre homens negros

Principais causas de mortalidade de homens negros são externas, como homicídios; brancos morrem mais de doenças, diz estudo

De 1999 a 2005, a taxa de assassinatos por 100 mil homens brancos caiu de 36 para 34; entre os negros, aumentou de 52 para 61

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

A desigualdade racial brasileira, já bastante dissecada a partir de indicadores de renda e escolaridade, pode também ser constatada pelo padrão de mortalidade de cada grupo. Entre os homens negros, a principal causa de mortalidade foram as externas (homicídios, acidentes e outras razões não-naturais). Entre os brancos, essas causas são o terceiro item mais comum, atrás das doenças do aparelho circulatório e das neoplasias (tumores).
Além de negros -somatório de pretos e pardos no estudo- e brancos apresentarem padrão de mortalidade diferente em 2005, estudo dos pesquisadores Marcelo Paixão e Luiz Carvano, da UFRJ e do Laboratório de Análises Estatísticas Econômicas e Sociais das Relações Raciais, mostra que, desde 99, cresce a desigualdade entre os dois grupos quando se comparam as taxas de mortalidade por homicídios, HIV, tuberculose e problemas no parto.
Em alguns casos, essa desigualdade cresceu porque houve melhoria dos índices entre brancos e piora entre os negros. Foi o que ocorreu, por exemplo, com os homicídios. De 1999 a 2005, a taxa de assassinatos por 100 mil homens brancos caiu de 36 para 34 mortes. No mesmo período, a mesma taxa entre os homens negros aumentou de 52 para 61 por 100 mil.
O estudo mostra que esse padrão de aumento da desigualdade aconteceu mesmo de 2003 para 2005. Nesse período, as taxas em ambos os grupos caíram, mas a queda foi mais intensa entre os brancos.
Ao trabalhar com os microdados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do DataSus, Paixão e Carvano mostram ainda que, se é verdade que homicídios vitimam mais os negros, também é verdade que os acidentes de trânsito matam mais os brancos: a taxa entre pessoas brancas em 2005 foi de 20,8 mortes por 100 mil habitantes. Entre as negras, ficou em 17,1 por 100 mil.
Especificamente quando se analisa os atropelamentos, os dados se invertem: 5,5 mortes por atropelamento por 100 mil habitantes, ante 5,1 mortes por 100 mil entre os brancos.
No que diz respeito à mortalidade por HIV/Aids, os pesquisadores identificaram que o único grupo em que há redução de 1999 a 2005 é o de homens brancos. Nos demais (homens negros e mulheres brancas e negras), as taxas aumentaram.
Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que, entre os negros, o percentual de mortes por causas mal definidas -um indicador de maior precariedade no atendimento médico- é muito maior. Entre mulheres, 15% das mortes em 2005 não foram definidas, percentual que cai para 8% entre brancas.
Quando se compara a mortalidade por problemas no parto, novamente é verificada melhoria na razão de mortalidade das mulheres brancas, enquanto entre as negras as taxas pioram.

Razões
A dificuldade nesse tipo de pesquisa, comparando as causas de morte entre negros e brancos no Brasil, é identificar o quanto desse diferencial é causado pela discriminação racial e o quanto é explicada por razões econômicas ou sociais. Ou seja, como os indicadores de pobreza e escolaridade são piores entre os negros, é de se esperar que eles tenham pior acesso aos serviços de saúde.
Segundo Paixão, no caso dos homicídios, não há dúvida de que há um componente racial. “Nas demais causas de mortalidade, minha hipótese é: se vivem de forma diferente, logo, morrerão de forma diferente.”
No estudo, os pesquisadores afirmam que as razões das desigualdades precisam ser melhor estudadas: “Chamamos a atenção para a existência de causas de mortalidade que afetam de forma muito especial a população negra, em muitos casos tendo sido verificados aumentos nas desigualdades raciais em termos do número de afetados ou das razões de mortalidade”.

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RACISMO

SUÁSTICA É PICHADA EM CARTAZ NA UFRGS
Alunos que disputam a eleição do DCE da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) encontraram anteontem pichação de uma suástica (símbolo nazista) e a frase “Fora Judeus” sobre o cartaz da chapa três que tem apoio da comunidade judaica e é a única contra o sistema de cotas. Foi registrado boletim de ocorrência para apurar suposto crime de racismo.
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9/11/2007 – 16h32
Brancos ocupam 4 vezes mais cargos executivos do que negros, diz Seade

da Folha Online

Estudo realizado pela Fundação Seade na região da Grande São Paulo, com base nas informações de outubro de 2006 a setembro de 2007, aponta que os negros e pardos ainda enfrentam dificuldades para ocupar os melhores postos do mercado de trabalho, quando comparado com os chamados não negros, que incluem brancos e descendentes de asiáticos.

Segundo o Seade, a diferença se explica pela exigência das vagas de formação escolar elevada. Ainda segundo a fundação, o desemprego também é maior entre os negros (18,1%) na comparação com os não-negros (13,2%).

Dos negros e pardos empregados, 4,6% ocupam cargos de direção ou planejamento, sendo 2,2% como empresários, direção e gerência e 2,4% em posição de planejamento e organização. Já entre os brancos empregados, 18,4% têm cargos de direção ou planejamento, sendo 8,4% como empresários, direção e
gerência e 10% planejamento e organização.

Por outro lado, a concentração dos negros em atividades posições ocupacionais em que os requisitos de qualificação profissional dependem menos da formação escolar do que da experiência no trabalho. entre os empregados domésticos, 54,9% são negros e pardos e 45,1% são não-negros.

Na construção civil os negros representam 49,4% e os não-negros são 50,6%. Entre os empregados em geral, 65,1% são brancos e 34,9% são negros.

Para o Seade, no entanto, a atual situação dos negros no mercado de trabalho da região Metropolitana de São Paulo, ainda que desfavorável, não se mostra tão precária quanto foi no passado. “Atualmente, a universalização do ensino fundamental e o maior acesso aos níveis médio e superior de ensino por toda a população permitem supor que as diferenças, ainda importantes entre as oportunidades para negros e não-negros ingressarem e progredirem em sua vida profissional, possam ser superadas”, afirma o estudo.
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16/11/2006 – 15h16
São Paulo tem proporcionalmente maior população de negros do país

da Folha Online

A Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgou nesta quinta-feira o resultado de pesquisa que aponta que o Estado de São Paulo tem a maior população negra do país. Outro estudo também aponta que os homicídios atingem a população negra duas vezes mais que a população branca.

A pesquisa sobre a população da Seade foi feita com base nos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Já os dados sobre mortalidade foram feitos somente com dados da Seade, com base em atestados de óbito registrados em cartório.

De acordo com a pesquisa sobre população, em 2005 São Paulo contava com a maior população negra do país, com 12,5 milhões de pessoas de cor preta ou parda –correspondendo a 31% dos habitantes do Estado.

O Censo de 2000, do IBGE, apontava que a maior proporção de negros residia na Baixada Santista, com 34,8 % de sua população –aproximadamente 514 mil habitantes-, de acordo com a Seade.

A Grande São Paulo era a segunda região com maior proporção de população negra –32,1%– cerca de 5,7 milhões de pessoas, segundo a fundação.

Em 2000, dos 10 milhões de habitantes da cidade de São Paulo, 30,3% se declararam pardos e pretos, de acordo com a Seade.

Mortalidade

Já os indicadores de mortalidade por causas externas –onde aparecem os homicídios-, a população negra entre dez e 24 anos tem taxa de 120 mortes para 100 mil habitantes. Entre a população branca a taxa é de 60,5.

Entre os homens negros dessa faixa etária a taxa chega a 198,7, 33% maior que o indicador de mortalidade dos homens brancos, com taxa de 149,4.

As causas externas, de acordo com o Seade, matam muito menos as mulheres negras de todas as faixas etárias. Porém, a mortalidade feminina na faixa etária entre dez e 24 anos é 58% provocada por homicídios. Entre as mulheres brancas dessa idade, 71% das mortes são causadas por acidentes de trânsito.
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13/11/2007 – 21h38
Negros têm ganho mensal menor do que brancos, diz Dieese

da Agência Brasil
da Folha Online

O ganho mensal dos negros pode ser até 52,9% menor do que o dos não-negros, segundo pesquisa do Dieese. A maior diferença foi localizada em Salvador, onde o rendimento médio mensal dos negros é de R$ 715, contra R$ 1.350 dos brancos.

A pesquisa também analisou dados de Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, São Paulo e Distrito Federal e mensura como o rendimento por hora de trabalho sofre efeito direto da escolaridade.

Em Belo Horizonte, por exemplo, a média de rendimento por hora para homens negros é R$ 5,74 para os que têm ensino médio completo e R$ 17,72 para quem já completou o nível superior. Em relação a mulheres negras, também em Belo Horizonte, os rendimentos são respectivamente de R$ 3,72 e R$ 13,63. O acréscimo de acordo com o grau de escolaridade segue a mesma tendência em todas as regiões pesquisadas.

“Quanto maior a escolaridade, menores são as diferenças salariais e menor a vulnerabilidade que a pessoa tem em sua ocupação, ou seja, quanto mais se estuda, principalmente quando se chega a um nível universitário completo, você tem mais chance de ter uma ocupação mais estável e um melhor rendimento”, avalia o coordenador da pesquisa de emprego e desemprego do Dieese, Antônio Ibarra.

Ele aponta a aplicação de ações afirmativas –como a política de cotas nas universidades– como forma de aumentar a escolaridade entre os negros e assim garantir melhor ocupação e rendimento. “O sistema de cotas é apenas um dos pontos de todo um sistema de ações afirmativas que necessita ser debatido pela sociedade.”
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