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18 de janeiro de 2013, 22h40

Vai que é sua, Dilma! União tem dez dias para se manifestar sobre demolição do Museu do Índio

Índios comemoram com festa prazo maior para ‘aldeia Maracanã’

Por: Júlia Dias Carneiro, Da BBC Brasil, no Rio de Janeiro

18/01/2013

Ocupantes do prédio comemoraram a decisão da Justiça com uma festa ao redor de uma fogueira

Os indígenas e simpatizantes que ocupam o antigo Museu do Índio, prédio ao lado do estádio do Maracanã ameaçado de demolição para a construção de um estacionamento, comemoraram com uma grande festa a decisão da Justiça de dar um prazo para que a União se manifeste sobre o caso.

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou na quinta-feira que a União tem dez dias para se manifestar sobre o recurso do Ministério Público Federal que busca impedir a demolição do prédio e a retirada dos ocupantes do Museu do Índio.

A notícia de que o dia terminara com uma decisão favorável nos tribunais chegou de forma simplificada à chamada ‘Aldeia Maracanã’, mas gerou uma grande festa e muita comoção entre os ocupantes do prédio, na zona norte do Rio.

“O tribunal suspendeu a derrubada do prédio!”, anunciou um dos indígenas no microfone, contando uma versão inicial excessivamente otimista dos fatos, mas conclamando todos os presentes para o espaço central do prédio para comemorar. “Vamos acender a fogueira!”

O fogo foi ateado e a celebração começou, com muita dança e cantoria na roda que se abriu a seu redor.

Alento

Mais de 20 famílias indígenas vivem no antigo museu ao lado do estádio do Maracanã desde 2006

A decisão foi mais um passo na batalha jurídica em relação ao terreno. Os indígenas sabem que está longe de ser uma solução para o impasse, mas interpretaram a notícia como um alento, durante dez dias, para a ameaça de demolição do prédio – sobretudo após longos momentos de tensão vividos no último sábado, quando a polícia fez um cerco ao local e o despejo dos ocupantes parecia iminente.

“A gente está um pouco aliviado, não por muito tempo, mas é um alívio. Estou muito emocionado”, disse à BBC Brasil o líder da comunidade, Carlos Tukano. “Estamos esperançosos.”

A Justiça vai verificar outros trâmites legais para a gente continuar essa luta e para a manutenção deste prédio. Vamos continuar o trabalho de conscientização da sociedade civil, que está começando a entender a posição dos povos indígenas. E a gente ganha tempo para responder ao governador”, afirmou, referindo-se à proposta de criação de um centro de referência para povos indígenas em um outro local caso os ocupantes concordem em deixar o imóvel, feita nesta semana pelo governo de Sérgio Cabral.

O governo do Estado do Rio comprou da União o terreno do antigo Museu do Índio – onde funcionam também laboratórios do Ministério da Agricultura – e prevê sua demolição como parte do projeto de melhorias planejadas para os arredores do Maracanã para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Mais de 20 famílias indígenas vivem no local desde 2006 e vêm lutando para que ele continue de pé e vire um centro de referência indígena – e para que possam permanecer no local.

Boato

Na manhã desta quinta-feira, um boato de que a polícia estava novamente a caminho rapidamente se espalhou, levando todos que estavam no local a se mobilizarem imediatamente – e expondo o clima de tensão na comunidade.

De acordo com o juiz João Batista Damasceno, que é simpático à causa dos indígenas e foi para o local após saber sobre a determinação do TRF-2, a notícia “é uma resposta positiva para os próximos dez dias.”

“Coloca uma luz no fim do túnel. Há um problema na transferência deste prédio da União para o governo do Estado, que na transação não disse que ele seria demolido. A empresa pública federal não o transferiu com essa finalidade”, observa Damasceno, membro da Associação Juízes para a Democracia.

“Nesta altura do campeonato, dez dias são muito tempo. Porque cada minuto aqui é relevante, já que outros órgãos podem se manifestar.”

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