o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
30 de julho de 2020, 14h20

A confusão que Moro pediu para Deus

Enquanto Deltan e Aras se estapeiam através de notas, Moro sobe no trampolim da briga e parte em defesa da operação sabendo que amplos setores da imprensa irão sair em sua defesa. Moro é, atualmente, o candidato com a maior assessoria de imprensa do país

Moro e Merval Pereira, do jornal O Globo (Foto: Isaac Amorim/MJSP)

É claro que a inacreditável guerra entre Lava Jato e PGR iria respingar no ex-ministro Sergio Moro. Embora seja urgente a imposição da disciplina ao combate à corrupção, não existe saída fácil para o caos em que nos enfiamos.

Já disse em outra coluna: está errado o estardalhaço que Aras fez durante uma live. Há caminhos e métodos para que isso seja feito, mas vivemos os tempos da “nova política” onde ganha quem grita mais alto e faz mais escândalo.

Uma modalidade de fazer política foi inaugurada por Deltan Dallagnol e suas detestáveis 10 medidas contra a corrupção ainda em 2013, quando erramos – como sociedade e democracia – em não coibir o MPF com a PEC 37.

Enquanto Deltan e Aras se estapeiam através de notas, Moro sobe no trampolim da briga e parte em defesa da operação sabendo que amplos setores da imprensa irão sair em sua defesa. Moro é, atualmente, o candidato com a maior assessoria de imprensa do país.

E seguiremos com esse favorecimento do Moro enquanto não discutirmos o que importa, a definição concreta e absoluta do que é ou não atribuição do Ministério Público, hoje a nossa Constituição abre margem para interpretações torpes que permitem ao MP poderes para abrir investigações no âmbito criminal.

Com isso acabou recriando o poder moderador extinto em 1889 e revivido quase 200 anos depois na constituição de 88.

Hoje durante uma entrevista o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu claros exemplos de como o MP atua hoje “moderando” os demais poderes. Em um dos trechos ele disse:

“Em determinado momento, qualquer coisa que a gente ia votar tinha uma coletiva lá do pessoal de Curitiba, ‘não pode votar isso, não pode votar aquilo’, como se fossem um árbitro, uma figura acima do bem e do mal”.

De maneira constante eu aponto aqui que a lava jato ressuscitou a prisão para averiguação que atualmente não é recepcionada pela Constituição vigente.

E isso escorreu para o judiciário.

Agora, com a pandemia a “juíza da lava jato” (isso é bem grave) decidiu definir a destinação de recursos que já são da União! Está errado.

Mais errado ainda é toda a trajetória do ex-juiz que virou ex-ministro do governo que ajudou a eleger de maneira direta. A lava jato é responsável direta pela eleição de Jair Bolsonaro!

A verdade é que a lava jato fez o que todo aspirante a ditador sempre almeja, solapar a institucionalidade, perseguir os inimigos e sabotar a democracia.

E enquanto a institucionalidade é corroída com uma surreal guerra entre MPF e PGR, Moro surfa na onda. Justo em um momento onde se encontra fora do governo, sem relevância de mídia e fazendo qualquer coisa para sair nos jornais.

Moro certamente teria dificuldades em 2022. Mas o jogo virou devido ao mal comportamento de um PGR que embora esteja correto em enquadrar a lava jato, erra em entrar no mesmo jogo de Deltan Dallagnol de promover gritaria nas redes sociais.

Perde a democracia, perde a República e ganha Sergio Moro.

O artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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