o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
11 de março de 2020, 11h33

A Lava Jato não pode ver uma delinquência que já corre atrás

Sempre que a Lava Jato sente os pesos da lei, do Estado democrático de Direito e da Constituição, os procuradores afirmam que querem acabar com a operação

Procuradores da Lava Jato em pose para a Veja (Arquivo)

Enquanto o Brasil vive tempo absurdos, com governantes improváveis com atitudes deprimentes, eis que o esperado aconteceu!

Deltan Dallagnol, o Torquemada da lava jato, decidiu torpedear a democracia.

Vejam só que conveniência. Aguardou a proximidade do ato e a flagrante desaceleração da intentona bolsonarista para tentar agitar os celerados de extrema-direita.

Não, Jair Bolsonaro e os lavajatistas não são melhores amigos, é uma questão de cálculo:

A lava jato busca reinar absoluta em um país que possui suas instituições em frangalhos, onde ela pode jogar para apostar nisso.

Em seu vergonhoso “balanço” de seis anos da lava jato, Deltan disse:

“No último ano, identificamos uma série de decisões e posições do Parlamento e do Supremo Tribunal Federal que acabam resultando em dificuldades do exercício do nosso trabalho, das investigações e processos”

Eu vou dizer quais decisões do Parlamento e do STF dificultaram os espancadores da Constituição:

– A decisão do STF que barrou o criminoso fundo da instituição Lavajatista, dinheiro público que seria gerido pela iniciativa privada.

– No parlamento foi a lei de abuso de autoridade e o juiz de garantias que frustraram a sanha doentia desse pessoal.

Por fim, não citada, mas também sempre um impeditivo imperativo nas decisões lavajatistas: a Constituição.

Como sempre, o esperneio do Torquemada (leia-se Deltan) é porque obrigaram a lava jato a seguir a lei.

Não por menos aproveitou e pegou rabeira na intentona bolsonarista para insuflar as hordas contra as instituições.

Deltan é inclusive alvo de uma série de queixas no Conselho Nacional do Ministério Público.

Vejam as queixas dele em seu balanço!

Ele reclamou que o pacote pró-barbaridade do seu amigo Sérgio Moro não foi aprovado da forma como se pretendia; bateu o pé com o STF por conta das prisões em segunda instância; e ficou bravo também – se espantem – com a decisão da corte que determinou que réus delatados só apresentem alegações finais após a manifestação de réus delatores!

É um absurdo! Um absurdo esperado, infelizmente.

Sempre que a Lava Jato sente os pesos da lei, do Estado democrático de Direito e da Constituição, os procuradores afirmam que querem acabar com a operação.

Oras! Se enquadrem dentro dos moldes institucionais e não terão problemas! Simples!

As leis e as regras do jogo não são boas? Então façam a coisa certa pelos caminhos corretos.

Deltan, abandone o MP, vire candidato, seja eleito e aí então lute pelo o que acredita.

Agora, ficar fazendo militância política com dinheiro público não dá!

O alinhamento de Deltan com os lunáticos só deixa ainda mais flagrante a índole dessa gente.

Em tempo: Ronaldinho Gaúcho, aquele que Moro correu para socorrer, foi levado ao Paraguai pelo empresário Nelson Belotti,  investigado na Lava-Jato.

O MPF suspeita que o empresário também atuava como repassador de propina em um depoimento citado em despacho usado por Sergio Moro quando ainda era juiz para decretar a prisão do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado na Lava-Jato.

O empresário tem ligações com o doleiro Alberto Youssef, aquele que Moro em 2016 usou as delações para começar a Lava Jato. Como recompensa, Yousseff pôde a cumprir pena em casa.

Como falei.. A lava jato não pode ver uma delinquência que já corre atrás abanando o rabo.

Mais tarde falarei sobre isso no meu podcast.


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