o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
30 de junho de 2020, 22h41

Acabem com a Lava Jato

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "A condução agressiva do debate e do discurso político no país não é uma exclusividade do bolsonarismo, ainda entre 2013 e 2015 a Lava Jato já fazia isso com maestria"

Procuradores da Lava Jato (Reprodução)

Pelo visto as coisas não acabaram bem com a “agitação” que a Lava Jato decidiu tentar fazer contra a PGR.

É cômico a Lava Jato se negar a querer compartilhar dados com seus “chefes” por temerem vazamentos.

Sim, a Lava Jato. A operação que tem O Antagonista e o Jornal Nacional como assessorias de imprensa. Isso mesmo.

O resultado da operação que mudou o Brasil (para pior) é muito mais desastroso do que se imagina. Vamos ao balanço:

  • Depredação das instituições
  • Desvalorização da política
  • Banalização do estado de exceção
  • Uso político de investigações criminais
  • Eleição de Jair Bolsonaro
  • Furto de sistemas de grampo
  • Panfletagem em pedágio
  • Uma penca de processos de investigação abertos em “estoque”
  • Tentativas de uso de dinheiro da Petrobras para fins “confusos”

Não, não foi Bolsonaro que depredou a democracia (ele até que tentou). Foi a Lava Jato quando insuflou as massas contra a política, contra as instituições e por seguidas vezes contra a Constituição e contra direitos básicos.

A Lava Jato sempre teve saudades daquilo que não viveu: o AI-5. Grampos distribuídos à revelia e o uso descabido de prisões preventivas com o objetivo de se obter delações premiadas, mais de 1.700 procedimentos de investigação em aberto e supressão de direitos.

Já ficou claro que democracia e Lava Jato não podem habitar um mesmo país e que precisamos urgentemente de um reforço do nosso compromisso com o Estado de Direto.

A condução agressiva do debate e do discurso político no país não é uma exclusividade do bolsonarismo, ainda entre 2013 e 2015 a Lava Jato já fazia isso com maestria.

Unicamente com o interesse de atender sua própria agenda. Assistimos seguidas vezes os vislumbres vaidosos de Deltan Dallagnol e outros membros da força-tarefa e o que idealizavam para um país inteiro.

Esse não é o trabalho de um procurador decidir o rumo de uma nação inteira. Para isso temos instituições, temos o voto, temos os partidos, temos os movimentos políticos, e não o Ministério Público que deveria se lembrar de seu tamanho institucional e reduzir-se.

O Ministério Público não é um quarto poder.

De nada adiantará um impeachment de Jair Bolsonaro ou até mesmo a prisão dele e de seus filhos (desde existam condições, motivos e provas sólidas para isso) se mantivermos uma organização que promulga de ideais semelhantes e que é capaz de abrir caminho para “um outro Jair”.

Esse “outro Jair” já tem até nome e se chama Sergio Moro.

Não existe retomada da estabilidade democrática sem o fim da Lava Jato. E sabe o porquê? Pois não existe saída fora da Constituição.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum


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