o colunista

por Cleber Lourenço

Fórumcast, o podcast da Fórum
02 de agosto de 2019, 08h50

Descobrimos a trilha do fracassado contra o Intercept

“De uns tempos pra cá a extrema direita decidiu disfarçar sua militância desvairada com o nome do jornalismo”

Bolsonaro com Moro e o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept (Montagem)

Para fechar a semana decidi que deveria falar sobre o mau jornalismo. Longe de mim querer ensinar o ofício. Aliás, confesso que nos meus 24 anos preciso aprender muitas coisas para me intitular jornalista com segurança.

Mas isso não me impede de apontar atropelos, falta de fé e falta de caráter de quem, por pura presunção (pois está longe de ser por prática e técnica), se diz jornalista. Não citarei nomes, pois minhas colunas não são feitas para depósito de chorume informativo disfarçado de jornalismo. Mas, certamente, vocês saberão a quem me refiro.

Nos últimos dias, um suposto jornalista decidiu embarcar, da pior forma possível, na onda da repercussão dos documentos vazados pelo The Intercept Brasil, causando vergonha para qualquer jornalista minimamente comprometido com a análise e apuração dos fatos.

O primeiro lampejo de vergonha alheia veio com uma “reportagem“, na qual o ignóbil em questão afirmava ter descoberto uma “trilha” do informante que passou as conversas de Deltan Dallagnol para o The Intercept Brasil. Um amadorismo sem tamanho, pois aquilo que ele revelaria como novidade era nada além do que informações já presentes no site do portal de jornalismo investigativo. Um texto mal diagramado, deprimente e que desperta uma única sensação em quem lê: pena.

Afinal de contas, em que mundo uma pessoa precisa viver para vender a informação de que o céu é azul como se fosse um furo exclusivo?

Mas a falta de vergonha na cara não pararia por aí. Recentemente, este mesmo jornalista expôs a identidade de uma fonte minha, em uma matéria envolvendo os supostos hackers de Araraquara. Mais uma vez um psicodélico texto, que misturava militância com vontade de escrever.

Depois disso, os ataques amalucados não cessaram, acusações infundadas, mentiras deslavadas e um jornalismo nem um pouco investigativo. Creio que sequer o meu nome do meio ele conseguiria descobrir e, se descobrisse, certamente divulgaria com certo alarde e sensacionalismo. Isso, se não inventasse um nome.

Mas ele não parou. Esta semana decidiu atacar a mãe do jornalista Glenn Greenwald de forma vil e vergonhosa. O pretenso “jornalista investigativo” questionou como a mãe de Glenn pode usar a internet se ela tem câncer?

Bem, ainda não vi a relação entre o tipo de câncer que ela possui com a incapacidade de se acessar um Facebook ou um Twitter.

Alardeou a constatação como se tivesse inventado a roda. Mais uma vez pena de quem não enxerga o próprio fracasso.

O que temos aqui é um caso claro de alguém com uma limitação grave em possuir qualquer compromisso com a sensatez.

Gente assim se agarra com todas as forças na primeira oportunidade de crescer e aparecer, uma vez que jamais foi capaz de produzir luz própria. Mas, de certo modo, dou meus parabéns para seus 15 minutos de fama. Mas o que fará a seguir? Viver da reciclagem do lixo produzido? Talvez. Acontece que esse tipo de jornalista some, a história esquece e quando mencionado acaba por virar piada.

O fanatismo que assola o país não só deturpou o Estado como também perverteu a sensatez, a ponto de gente ignóbil achar que inventou a roda na era dos carros.

Esse tipo de gente apenas faz mal ao jornalismo em um aspecto: quando decide que as porcarias que produz podem ser consideradas jornalismo, manchando não só a profissão como envergonhando quem, de fato, exerce a profissão de maneira séria e digna.

Mas, infelizmente, ele não é o único. De uns tempos pra cá a extrema direita decidiu disfarçar sua militância desvairada com o nome do jornalismo.

Esse é o reflexo de uma era na qual cada um cria a sua verdade e realidade e à sobrepõe acima de qualquer realidade e fato socialmente imposto. É como se todo o mundo fosse interpretado de forma semiótica e subjetiva.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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