o colunista

por Cleber Lourenço

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30 de outubro de 2019, 12h36

Em um país onde aviões de ministros caem, o que acontecerá com o porteiro?

Bolsonaro é envolvido em caso de assassinato de política da oposição e em resposta ameaça a imprensa e o jornalismo, tudo isso tendo como anfitrião um rei que mandou assassinar um jornalista da oposição. Macabro

Bolsonaro e o Principe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman (Foto: Alan Santos/PR)

O governo-crise brasileiro voltou para as páginas policiais nesta terça (29), em uma edição do Jornal Nacional que certamente entrará para a história. Não só pelas revelações, mas também pelos desdobramentos.

Já falei neste blog e também inúmeras vezes em meu Twitter: Bolsonaro iniciará em 2020 um verdadeiro vale-tudo, pois a contagem regressiva do impeachment terá começado. Também afirmei que no final do primeiro semestre deste ano, esta carta voltaria para a mesa política de Brasília. Em ambos os casos, para o alívio de muitos e a tristeza dos cínicos, não errei.

Nesta terça não só Jair como Eduardo Bolsonaro promoveram um verdadeiro acinte ao estado democrático de direito, ao povo brasileiro e à liberdade de expressão. Jair não só ameaçou não renovar a concessão da Rede Globo, como também de outras emissoras, veículos que o desagradam, é claro. Tudo cheio de sofismas. Seu filho na tribuna do Congresso Nacional foi ainda mais terrível, ao ameaçar qualquer brasileiro que se levantasse contra o incompetente governo, mesmo que este tenha dado as costas ao trabalhador brasileiro.

Enquanto, respectivamente, fazem seus papéis de Nero e Calígula, sobra Carlos no meio disso sendo nossa Maria Antonieta. Brioches? Que tragam as milícias!

Mas nada é tão ruim que Jair não consiga piorar. Enquanto uma suspeita de participação em um assassinato paira, o presidente correu para flertar com a obstrução à justiça. Afinal de contas, é ético Bolsonaro acionar a Polícia Federal e Sérgio Moro para tentar extrair um outro depoimento (mais limpinho) do porteiro, que afirma ter falado com o “Seu Jair”? A resposta é simples: não.

Em um país onde aviões de ministros caem, o que acontecerá com o porteiro? #ProtejamOPorteiro.

E a cereja do bolo vem do conjunto da obra como um todo. Bolsonaro é envolvido em caso de assassinato de política da oposição e, em resposta, ameaça a imprensa e o jornalismo, tudo isso tendo como anfitrião um rei que mandou assassinar um jornalista da oposição. Macabro.

Mas o receituário que indica os remédios para lidar com mais essa crise (toda semana uma nova) já é conhecido:

Esta semana, certamente, teremos todos da lista infame que contém Pavão Misterioso, Celso Daniel, Adelio Bispo, alguma acusação do Palocci ou Valério contra Lula, MPF forçando semiaberto para Lula, o presidente e os filhos vão fazer/dizer alguma coisa estapafúrdia, além de Damares com alguma outra teoria absurda (esta semana a goiabeira vai tremer), e para fechar, como uma espécie de  olimpíada da insensatez, ainda teremos algum youtuber de direita criando polêmica (aposto no policial do MBL que não trabalha), Ricardo Salles mentindo sobre o óleo no Nordeste, Ernesto Araújo, irmãos Weintraub, decreto absurdo.

Vão fazer de tudo para nos tirar a atenção do que realmente importa, mas não se esqueçam! #QuemEstavanacasa58?

Ah! Antes de ir embora deixo vocês com uma percepção: Wilson Witzel é o novo PT de Bolsonaro, a fonte de todos os males.

A reforma da Previdência já passou e a ordem da casa é expurgar o incendiário.

No meio disso tudo, deixo vocês com o desabafo:

Que saudades do nosso Brasil!

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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