o colunista

por Cleber Lourenço

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31 de julho de 2019, 11h04

Não podemos esquecer de quem abandonou Bolsonaro

Cleber Lourenço: "Bolsonaro se tornou radioativo, assim como já foi outras vezes, em apenas oito meses. E sempre com grupos e pessoas se afastando dele, para depois que a radiação acabar voltarem aos braços e abraços com Jair"

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Seguimos por mais um dia em uma semana que parece não ter mais fim e que, estranhamente, parece ter começado na semana passada.

Como venho falando, Bolsonaro e sua trupe decidiram que o melhor caminho deveria ser se fechar entre os seus e falar para a galera que ama uma truculência.

Acontece que, no meio desse caminho, o esgarçamento do Estado democrático de direito alcançou um nível jamais visto na história do país. Antes, ou havia uma postura conservadora ou, então, a ruptura completa. Agora, não é mais assim que funciona.

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Bolsonaro vai tensionando a República em busca de seus limites, para, assim, poder cometer e falar absurdos dentro de uma suposta “legalidade“.

Acontece que a intentona direitista de Jair está colocando o presidente em isolamento. Aqueles que foram coniventes, e até mesmo incentivadores, dos acintes de um homem que hoje se mostra pequeno demais para uma cadeira tão grande, saem envergonhados.

João Doria, Partido Novo, Miguel Reale Jr, Rodrigo Constantino, Alexandre Frota e tantos outros tiveram sua parcela de colaboração nisso tudo.

Alguns foram apoiadores diretos do bolsonarismo, como o governador João Doria. Outros criaram o clima de “tudo ou nada”, que empurrou a população para uma escolha débil e mentirosa sobre uma falsa disputa entre o bem e o mal. Quem discute política de maneira séria sabe muito bem que não é assim. Todos possuem a sua parcela de participação no estado de putrefação moral e ética que se encontra o país.

Bolsonaro se tornou radioativo, assim como já foi outras vezes, em apenas oito meses. E sempre com grupos e pessoas se afastando dele, para depois que a radiação acabar voltarem aos braços e abraços com Jair.

É preciso que a população e principalmente a oposição fiquem atentas a isso. É muito frequente ver setores ditos progressistas “adotarem” alguém do lado de lá na primeira linha de convergência. É preciso maturidade. Ou então teremos uma esquerda repleta de reprises do Delfim Neto.

Enquanto isso, navegamos em um mar de incertezas. Apesar de julgar necessário um impeachment, me preocupo com as consequências.

Um processo de impeachment é doloroso, causa feridas institucionais e sua banalização abre um precedente perigoso para a barbárie e a delinquência eleitoral.

No entanto, não estaríamos presos nessa situação se as instituições funcionassem, se existisse a certeza de que os poderes podem colocar Bolsonaro nos limites da lei.

Um STF acovardado, um legislativo que peca pela falta de pulso e um punhado de veículos de imprensa que, na verdade, fazem assessoria e passam o famoso pano (Caio essa é para você). A soma de tudo isso pode empurrar a República para um perigoso terceiro processo de impeachment, o segundo em menos de dez anos.

Se Sérgio Moro hoje estivesse afastado e respondendo inquérito sobre sua conduta, assim como Deltan, e Bolsonaro fosse colocado no seu devido lugar pelo Congresso e pelo STF, quem sabe não precisaríamos tirar dos bolsos uma opção tão dolorosa.

Caso ocorra um impeachment, mais esta chaga na história do país ficará na conta de quem, em um primeiro momento, incentivou, apoiou e criou as condições para Bolsonaro chegar ao poder, para depois fingir que não tem relação nenhuma com a balbúrdia que se instaurou em Brasília.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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