O mensalão do Covid mostra a fraqueza do tal golpe

Leia na coluna de Cleber Lourenço: "Jair, o nosso Mussolini do Vivendas da Barra, segue com dificuldades para ter algum apoio e, mesmo com o “acordo” com o centrão, ainda precisa desembolsar mais dinheiro"

Jair Bolsonaro em evento com a cúpula militar em Porto Alegre (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Ontem eu já havia pontuado: Bolsonaro vive em um purgatório de popularidade, longe demais do impeachment e mais longe ainda da governabilidade.

É o que torna completamente compreensível ele ser o favorito para o pleito de 2022. Está na mídia, está no poder, é natural. Vejam Moro, outro virtual presidenciável para 22: saiu do governo, não tem mais toga e agora fatalmente começou a encolher a quantidade de menções nas redes, perdeu mídia. Faz parte do jogo.

E por que eu estou pontuando isso? Pois no mesmo dia uma reportagem do UOL apontou para uma ação sigilosa do Ministério da Justiça que está perseguindo mais de 500 agentes de segurança com base em filtro ideológico. O crime? São antifascistas.

Sim, o movimento é semelhante aos militares de 1964 que, em um primeiro momento, perseguiram os “subversivos” dentro das Forças Armadas e repartições públicas e, então, foram pra cima do povo.

Essa perseguição indica a força do Bolsonaro? É aí que entra o mensalão do Covid denunciado pelo senador Major Olimpio (PSL-SP). Segundo ele, o governo estaria distribuindo recursos de combate ao Covid apenas para quem apoiasse o governo, ou seja, se você é de um estado da oposição, seu estado terá menos dinheiro para combater a pandemia.

É de uma perversidade absurda ver o governo fazer negociata com esse dinheiro e consequentemente com as vidas de milhões de brasileiros, mas mostra também a fragilidade do homem que tenta reviver a gestapo.

O dinheiro seria para comprar apoiadores e alianças no Congresso Nacional. Um mensalão para Bolsonaro chamar de seu. Tudo isso após lutar contra a crise na articulação política e prometer R$ 1 bilhão para municípios.

Vejam: Jair, o nosso Mussolini do Vivendas da Barra, segue com dificuldades para ter algum apoio e, mesmo com o “acordo” com o centrão, ainda precisa desembolsar mais dinheiro.

É isso que o mensalão do Covid mostra. Fraqueza. Esse “dossiê” dos antifas na segurança pública não me parece parte de uma estratégia mais elaborada de tomada do poder.

Está mais para tesão e tara de quem fica tentando demonstrar forma ou assustar de alguma maneira. A gravação da reunião ministerial de 22 de abril mostrou o desejo do presidente de ter dossiês, fazer chantagens e perseguir à esmo e. Sabe por quê? Porque o nosso presidente sabe que não tem o mínimo controle sobre coisa alguma!

E se seguir nesse seu “purgatório” da opinião pública, será lembrado pelo governo mais incompetente e insosso da história. Sem inovação, sem grandes reformas.

Por isso, digo que devemos pedir com força e sem medo a apuração e punição de todos os envolvidos no Ministério da Justiça e que auxiliaram para a criação de uma proto-gestapo.

Não há o que temer nesse tal dossiê, mas há muito o que ser cobrado. Bolsonaro aprendeu que o Estado Brasileiro não é o seu grupo de Whatsapp, por isso tenta passar e emplacar essas coisas na surdina, na encolha.

É até interessante ver que Bolsonaro está tentando perseguir opositores e aparelhar as forças de segurança (mais uma vez).

Será que ele terá coragem de dobrar a aposta? Será que ele avança? E se avançar, será que ele terá algum êxito?

Francamente? Não. As instituições amassam ele antes.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

Este post foi modificado pela última vez em 24 jul 2020 - 23:06 23:06

Cleber Lourenço: Não acho que o debate politico e o jornalismo precisem distribuir informação de forma fria e distante dos leitores, notícias são somente úteis no contexto do cotidiano e é nisso que acredito. E-mail: cleber@ocolunista.com.br