o colunista

por Cleber Lourenço

30 de julho de 2019, 13h44

O silêncio da vergonha

Se os militares tiverem o mínimo de amor próprio irão sair deste governo antes que o incêndio chegue na caserna e cause danos irreversíveis

Moro e Bolsonaro (Divulgação/PR)

Mais uma vez o Brasil amanhece após outro dia onde o governo do presidente Jair Messias Bolsonaro seguiu com sua campanha em banalizar o absurdo.

Ontem, aqui neste blog e também eu meu Twitter  falei que seria necessário o Impeachment do presidente. Porém gostaria de fazer algumas considerações.

Quem me acompanha sabe que desde o início do governo fui contra a tese do Impeachment contra Jair Bolsonaro, sempre afirmei que o impeachment é um processo muito traumático e que seria perigoso para a democracia usá-lo com tanta frequência, basicamente estaríamos nos mesmos status de repúblicas africanas do século passado, ou governos do Oriente Médio sem garantia alguma.

Hoje, infelizmente, não vejo alternativas, Bolsonaro esgarçou demais os limites.

Enfim, o vexame protagonizado pelo general Rêgo Barros na coletiva de ontem mostrou que a série de polêmicas que o governo se mete não possui nenhuma estratégia se não o puro despreparo.

Não tem “firehosing”, nem cortina de fumaça. É simplesmente truculência e maldade puras. E acredito que os 30 anos de Bolsonaro na política brasileira sirvam para deixar isso evidente.

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Acontece que o governo, caso não seja impedido, caso sobreviva a CPMI das Fake news seguirá desta forma, em diário processo de putrefação e degradação moral com vulgaridade.

Reafirmo, o que o governo quer é simplesmente banalizar a barbaridade e a truculência.

A reação do porta-voz da presidência aos questionamentos de jornalistas na coletiva mostram o que acontece quando essa abordagem entra em rota de colisão com a sensatez, não duvido que em seu íntimo o general tenha sentindo um pingo de vergonha de si mesmo, afinal de contas devo presumir que Barros como general teve uma formação melhor que seu chefe, um capitão e que em lampejos de sensatez saiba as loucuras que está a defender ou suavizar em sua função.

Não haveria resposta que o porta-voz não fosse dar que não fosse:

“Nenhum crime”

E foi isso que deixou o general perplexo, a incapacidade de responder com sensatez e com os pés na realidade uma pergunta corriqueira.

Mas o escrutínio ao governo não terminou com os jornalistas dando um choque de sensatez nos impropérios ditos pelo presidente e seguiu nas redes sociais com a hashtag #impeachment no topo dos assuntos mais comentados no Twitter durante toda a madrugada e o início da manhã desta terça-feira (30).

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O episódio acontece um mês depois de Rêgo Barros ser mando para reserva como um recado do Alto Comando do Exército para Bolsonaro, sinalizando sua independência em relação ao governo após a cúpula militar, mais uma vez, demonstrar insatisfação com as mudanças no governo promovidas pelo presidente há poucos dias, além dos diversos ataques que recebe da ala ligada a Olavo de Carvalho no governo que conta inclusive com o filho do presidente.

Quando não são enxotados pelos próprios apoiadores do governo, então são ridicularizados pelos jornalistas que nada fazem se não o seu trabalho de confrontar o surrealismo do governo com a solidez dos fatos.

Se os militares tiverem o mínimo de amor próprio irão sair deste governo antes que o incêndio chegue na caserna e cause danos irreversíveis. Falta de aviso não foi, mês passado eu já havia comentado neste blog que Bolsonaro era inimigo da Alta Cúpula militar.

Também alertei em maio que o objetivo do Bolsonaro é agitar as patentes mais baixas contra o generalato, evidências não faltam e listei todas elas aqui.

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