o colunista

por Cleber Lourenço

O que o brasileiro pensa?
18 de fevereiro de 2020, 12h40

Obrigado por destruir a civilidade, nova política

A política não é uma esquete da Praça é Nossa. A sociedade não é um quadro do programa do Ratinho

Bolsonaro e Ratinho (Divulgação)

Há alguns anos atrás, quando se levantou a bandeira falaciosa da “inversão de valores”, muitos acreditavam que era algo da sociedade brasileira defender bandidos, pedofilia e defender os direitos da população LGBTQI.

Na verdade não era nada além do que os urros do reacionarismo contra o avanço da civilidade.

Não havia defesa da pedofilia, defesa de criminosos e crimes ou nada parecido. O que existia era o avanço das pautas de direitos das pessoas que não eram heterossexuais, o combate ao racismo e a defesa dos direitos humanos.

Aos poucos a suposta inversão deu lugar para outro movimento, um mais bonitinho, pop e fácil de vender, se aproveitando dos anseios da população em 2013.

Foi quando surgiu a pretensa Nova Política.

Não vou me estender muito sobre o que é a nova política, já falei muito sobre isso aqui no blog, você só precisa ter em mente duas coisas:

– Não existe nova política, no sentido de que inventaram uma nova forma de fazer política. Mentiram para você.

– A outra coisa que você precisa ter em mente é que a sociedade civil brasileira precisa urgentemente acabar com a nova política antes que ela acabe com o país.

O que assistimos hoje é a mais completa perversão social instaurada no seio da sociedade brasileira. Um verdadeiro estímulo à barbaridade é selvageria.

Se tornou comum e palatável ser cruel, mentiroso e ter um comportamento que beira a delinquência.

Acha exagero? Há pouco mais de sete anos atrás seria aceitável um presidente fazer piadinhas de cunho sexual contra uma jornalista?

Há alguns anos atrás os veículos de imprensa tiravam as calças pela cabeça com a história da fala do ex-presidente Lula sobre as mulheres de “grelo duro” do Partido dos Trabalhadores.

Mas de uns tempos pra cá, todo tipo de baixaria se tornou normal, como se a política fosse um grande programa do Ratinho.

Em entrevista na manhã desta terça-feira (18), quando voltou a falar com jornalistas, Jair Bolsonaro fez ilações sobre uma suposta ligação da repórter da Folha, Patrícia Campos Mello “com o PT” e ironizou as fake news propagadas pela milícia virtual sobre o depoimento de Hans River.

Ele disse: “Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”.

Agora eu lhe pergunto: em que sociedade minimamente madura seria aceitável um presidente emitir esse tipo de declaração sobre uma situação completamente inverídica?

Ainda mais com apelo sexual contra uma mulher?!

Mas o descalabro moral do Brasil não acaba aí!

Durante o final de semana em São Paulo um Policial civil que estava curtindo um bloquinho na Berrini atirou e feriu 5 pessoas para evitar uma tentativa de assalto. O governador de São Paulo, João Dória aplaudiu o ocorrido.

Porém a situação é grave, pois o governador simplesmente ignorou alguns fatos:

– O que o policial fazia armado em um bloco de Carnaval? Ele não estava à serviço.

– É prudente ir aramado para um evento de grandes aglomerações e com bebidas alcoólicas e pessoas alcoolizadas?

– É por último, que manual ou treinamento em segurança pública recomenda-se a troca de tiros no meio de uma multidão?

Tudo muito errado e grave, mas mesmo assim o governador achou lindo.

E a cereja do bolo vem do meu Twitter, como caso do policial militar que decidiu prender a prefeita de uma cidade pois ela estava voltando de um evento oficial e parou com o carro oficial para almoçar em um shopping.

É esse tipo de coisa que atitudes como as de Moro e Bolsonaro patrocinam. A selvageria, ninguém é de ninguém e todos contra todos.

Estamos vivendo um momento único no país onde podemos ver os reflexos e consequências da desinstitucionalização do país.

Tudo isso é fruto da nova política!

Tornou-se aceitava se comportar como um bárbaro à margem dos marcos civilizatórios como se fosse um embaixador do futuro da distopia de Mad Max.

O mais preocupante é ver a chancela de parcelas da população que (PASMEM) enxergam isso como algo positivo.

E isso não vem só dos governantes desse país, as emissoras de TV também patrocinam a selvageria.

O mais recente exemplo vem do Programa Cidade Alerta, da TV Record, que colocou uma mãe ao vivo para anunciar que a filha foi assassina pelo namorado, que acabara de confessar o homicídio, a mulher desmaiou na hora.

Pergunto mais uma vez: há alguns anos atrás essas situações seriam aceitáveis? Jornalistas foram afastados, ministros demitidos e presidente derrubados por muito menos.

Não podemos aceitar ou encarar tais situações como normais, como algo corriqueiro.

Não dá para permitirmos que pessoas, chefes de estado ou não, façam ou falem descalabros com a naturalidade de quem diz “hoje é terça-feira”.

A política não é uma esquete da Praça é Nossa. A sociedade não é um quadro do programa do Ratinho.

Se querem tanto falar sobre a inversão de valores, que falem agora!

Não há como aceitarmos a normalização da selvageria ou então a nova política transformará o Brasil em uma terra de ninguém, uma terra sem lei.

Esse artigo não reflete necessariamente a posição da Fórum


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