o colunista

por Cleber Lourenço

24 de julho de 2019, 19h32

“Russos” de Araraquara: mais coisas estranhas surgem

Cleber Lourenço: “Enquanto isso, a PF não consegue achar Queiroz, com fortes indícios de ter relações com as milícias cariocas, que dava expediente no gabinete do filho do presidente e tem endereço fixo. Falta de sorte ou má-vontade?”

Foto: Pedro França/Agência Senado

Segundo as investigações da Polícia Federal, o interesse das “ligações do próprio número” não era nem que a vítima atendesse, e sim manter a linha ocupada, para que o suposto hacker recebesse o código do Telegram.

A decisão judicial que autorizou a operação desta terça (23) ainda deixou claro que as investigações são para apurar as invasões ao celular do Sérgio Moro, de um desembargador, um juiz federal e dois delegados da PF.

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O que é engraçado, já que todos os vazamentos até o momento indicam que na verdade Deltan é o centro e possível fonte de todos os vazamentos, uma vez que todas as conversas publicadas possuem a presença dele, sejam em conversas privadas ou grupos. Inclusive ontem eu reforcei isso na minha coluna, além de outros pontos envolvendo a fonte dos vazamentos.

A PF também pediu a quebra do sigilo bancário dos supostos hackers, de janeiro deste ano até agora. Como a PF chegou aos supostos hackers? Foi analisando o “sistema e os logs” de uma microempresa chamada BRVOZ, que trabalha com ligações do tipo Voice Over IP (VOIP). Com isso os investigadores chegaram aos IPs dos hackers.

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Pergunto-me por qual motivo um hacker não tomou medidas para esconder o próprio IP, o básico do básico, principalmente quando o objetivo é roubar informações de um ministro de Estado?

Chama atenção ainda mais o ministro Sérgio Moro, que, mesmo sem as investigações concluídas, sem nenhuma prova de relação do hackeamento ao seu celular e as revelações do The Intercept, e com o próprio juiz frisando na peça que o caso foi este ano, fez uma declaração vinculando as prisões às denúncias que o incriminam, sendo que as conversas vazadas vão desde 2015.

Intriga ainda mais que Moro havia declarado que não tinha mais a conta no Telegram, desde antes de anunciar o suposto hackeamento. Logo, não teria mais as mensagens, tampouco nos servidores do Telegram, que já afirmou não ser vítima de nenhuma invasão. Como Moro pode afirmar com tanta precisão que esses hackers possuem as mensagens?

Moro mentiu! Ou quando afirmou que apagou o Telegram ou quando disse que ninguém havia roubado nada de seu celular, quando acusou ser vítima da suposta invasão.

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É interessante verificar, também, que o expediente empregado pela operação é semelhante ao da Lava Jato, de prender, intimidar e depois apurar.

Os supostos hackers foram enquadrados na lei de organizações criminosas, permitindo que fechem acordo de delação premiada. Depois prenderam os hackers em outro estado e dificultaram o contato com a defesa.

Já assistimos esse filme né? Presos, fazendo delações e falando qualquer coisa para ganhar a liberdade. Palocci mandou abraços.

Vejam só, o que pra mim é o mais preocupante. Os vazamentos do The Intercept Brasil acusam o ministro da Justiça de ter cometido um crime. Aí, a PF, controlada por este mesmo ministro, prende supostos hackers envolvidos no vazamento.

Enquanto isso, a PF não consegue achar Queiroz, com fortes indícios de ter relações com as milícias cariocas, que dava expediente no gabinete do filho do presidente e tem endereço fixo. Falta de sorte ou má-vontade?

Confira a decisão judicial que autorizou a operação de ontem aqui

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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