o colunista

por Cleber Lourenço

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12 de junho de 2019, 06h09

Se Moro/Deltan falhassem, o plano B seria suspender as eleições?

Cleber Lourenço: “Desde a redemocratização, nunca a sociedade brasileira e sua ordem estiveram tão em risco quanto estiveram no ano passado”

Dallagnol e Sergio Moro (Foto: Divulgação)

O juiz federal Eduardo Luiz Rocha Cubas, que esteve envolvido em uma tentativa de suspender as eleições de 2018, foi gravado junto com Eduardo Bolsonaro em um vídeo falando sobre o processo eleitoral brasileiro.

Eduardo Rocha foi suspenso em setembro do ano passado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após uma denúncia da Advocacia Geral da União (AGU) comprovar que o magistrado pretendia se aproveitar do cargo e “do poder coercitivo que um provimento jurisdicional para atingir objetivos políticos, em especial inviabilizar a realização das eleições ou desacreditar o processo eleitoral como um todo”.

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Cubas pretendia conceder uma liminar em uma ação popular que questiona a segurança e a credibilidade das urnas, e que foi assinada pelo então advogado Renato Lira Miler Silva.

Renato atualmente ocupa o cargo de secretário parlamentar do então deputado federal (atualmente senador) Major Olímpio, que também é do PSL, mesmo partido de Eduardo e Jair Bolsonaro.
Para que as manobras não fossem detectadas, o juiz deixou de digitalizar os autos e ainda colocou o processo sob sigilo judicial sem qualquer fundamento legal e não intimou a União para tomar conhecimento da ação.

O juiz foi pessoalmente ao Comando do Exército, em Brasília, onde se reuniu com militares para antecipar o conteúdo da decisão que prometeu proferir no dia 5 de outubro, com a expectativa de garantir que as Forças Armadas pudessem cumprir uma eventual ordem judicial de recolhimento das urnas às vésperas do primeiro turno das eleições.

Para agravar a situação, o juiz ainda trabalhou para que toda a operação fosse realizada antes que qualquer liminar fosse emitida.

Os encontros entre Cubas e Eduardo Bolsonaro ocorreram em dois momentos, em ambos questionando o processo eleitoral brasileiro.

Em um dos encontros Cubas e Eduardo duvidaram da lisura das eleições e ainda questionaram a ausência do voto impresso.

Veja os vídeos:
https://www.youtube.com/watch?v=TzAmZpIbAKo

https://www.youtube.com/watch?v=TMvB8iBmxJw

Durante as eleições, Jair Bolsonaro ainda afirmou em entrevista para a Rede Bandeirantes que não reconheceria qualquer outro resultado diferente de sua eleição.

A declaração, coberta de arrogância e prepotência, demonstra o caráter agitador e que pode colocar em risco a ordem social e ainda afronta a segurança nacional, caso provoque qualquer tipo de convulsão social.

Desde a redemocratização, nunca a sociedade brasileira e sua ordem estiveram tão em risco quanto estiveram no ano passado.

Acontece que o caso acima, pouco noticiado na época, mostra que havia uma espécie de bala de prata caso qualquer candidato que não fosse Jair Bolsonaro tivesse chances reais de ocupar o Planalto este ano.

Com base nas informações divulgadas pelo The Intercept Brasil esta semana, podemos afirmar que o lavajatismo em conjunto com o bolsonarismo tinham um plano B?

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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