de onde veio o terror?

não existe civilização. não existem bárbaros. não existem portões. não existe segurança. * * * o presidente da frança classificou o massacre em paris de “ato de guerra”. ele tem razão. uma guerra que se arrasta há centenas de anos. uma guerra em que já aconteceram dezenas de massacres tão perversos quanto esse, na indochina, […]

não existe civilização. não existem bárbaros. não existem portões. não existe segurança.

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o presidente da frança classificou o massacre em paris de “ato de guerra”.

ele tem razão.

uma guerra que se arrasta há centenas de anos. uma guerra em que já aconteceram dezenas de massacres tão perversos quanto esse, na indochina, na algéria, no egito.

a diferença é que, hoje, o mundo ficou menor e os subalternos estão conseguindo contra-atacar no coração do império.

essa guerra, como todas as guerras, é horrível, injustificável e só serve para gerar mais violência.

seria ótimo se a frança aproveitasse esse massacre para refletir sobre sua história de conquistar, colonizar, tiranizar, massacrar outros povos, mas não tenho muitas esperanças.

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todo apoio às vítimas da tragédia, de TODAS as tragédias.

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na foto: oficial francês posa diante das pessoas mortas no massacre de sétif. estima-se que seis mil argelinos, protestando por independência, tenham sido massacrados pelas forças coloniais francesas.

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o que querem os terroristas?

os terroristas não são animais. (se fossem, seria fácil acabar com eles: bastava chamar os exterminadores.)

mas eles são pessoas como nós, que fazem parte de um contexto histórico, cujas ações visam atingir objetivos políticos.

a pergunta mais importante de todas é raramente feita:

por quê?

por que essas pessoas fazem as coisas aparentemente insensatas que fazem?

ou ninguém articula a pergunta ou então articulam só para jogá-la para escanteio: fazem isso porque são loucos, porque nos odeiam, porque querem nos matar a todos, etc.

mas essas respostas não respondem nada.

tentar entender quem são essas pessoas, qual é o contexto histórico que as produziu e o que elas querem não é justificá-las ou perdoá-las.

pelo contrário, como são seres humanos tão pensantes como nós, é o único jeito de combatê-las.

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arte por latuff.

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três textos para ajudar a entender o estado islâmico.

(em inglês.)

sobre a responsabilidade ocidental:

Our terrorism double standard: After Paris, let’s stop blaming Muslims and take a hard look at ourselves

We brought this on ourselves: After Paris, it is time to square our “values” with our history

e o melhor panorama que já li sobre o estado islâmico, indispensável:

What ISIS Really Wants (em português: O que é o Estado Islâmico.)

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não existe civilização. não existem bárbaros. não existem portões. não existe segurança.

nada pode ser mais “bárbaro” do que acharmos que existe uma guerra entre a civilização e a barbárie, e que estamos do lado da civilização.

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uma nota pessoal

odeio mesmo fazer esse tipo de texto. mas todas as pessoas brasileiras se cotizaram para que eu pudesse me formar historiador em uma universidade pública, algo que só fizeram porque sabem que, em momentos traumáticos como esse, é importante existirem guardiões profissionais da memória coletiva para nos lembrarem de coisas que talvez, no calor do momento, preferíssemos esquecer.

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Outrofobia

outrofobia. s.f. rejeição, medo ou aversão ao outro. termo genérico utilizado para abarcar diversos tipos de preconceito ao outro, como machismo, racismo, homofobia, elitismo, transfobia, classismo, gordofobia, capacitismo, intolerância religiosa, etc. claudia regina é fotógrafa. alex castro é escritor.

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