ler ou não ler a mídia?

ainda vale a pena se informar? aliás, se informar onde? * * * primeiro, um texto de gustavo tanaka, “por que parei de assistir televisão“: “[D]ecidi parar de assistir televisão, ler jornal, ouvir rádio. E minha vida melhorou. Para aqueles que vão me criticar, explico aqui o que aconteceu, respondendo as perguntas que mais me […]

ainda vale a pena se informar? aliás, se informar onde?

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primeiro, um texto de gustavo tanaka, “por que parei de assistir televisão“:

“[D]ecidi parar de assistir televisão, ler jornal, ouvir rádio. E minha vida melhorou. Para aqueles que vão me criticar, explico aqui o que aconteceu, respondendo as perguntas que mais me fazem. …

Eu não preciso receber as notícias pela mídia. Quando um assunto começa a ficar importante, as pessoas falam mais pelo Facebook e meus amigos falam quando eu os encontro, vez ou outra ou uma zapeada nos portais de conteúdo. Eu nunca fico totalmente por fora.

E quando eu quero saber mais sobre o assunto, eu aí sim acesso um site de mídia e busco as informações para saber mais detalhes.”

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aí, essa crítica da marjorie rodrigues, “Será mesmo revolucionário se informar só pelo Facebook?“.

ela argumenta que é problemático trocar a mídia tradicional pelo facebook, como se isso fosse alguma grande vantagem:

“Não há nada de revolucionário, libertador ou grandioso em tirar poder de grandes empresas locais de mídia para dá-lo a uma única empresa global de mídia. Querer que larguemos outras formas de produção e consumo de conteúdo e fiquemos só trancados no Facebook é exatamente o que o Markinho quer. …

Gustavo (e eu) estamos apenas seguindo a boiada dos nossos tempos. Mas, por vezes, achamos que estamos fazendo algo diferente e extraordinário. Nada mais equivocado.”

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aí, sabrina aquino levanta outra questão, em seu facebook:

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ok, a mídia tradicional é mesmo uma merda. mas, se não ela, então quem?

“Você posta uma notícia da mída tradicional e faz uma crítica ao governo. O que acontece? Aparece governista: “Ah, gostaria de uma fonte mais confiável do que O Estadão, O Globo, Folha de São Paulo, Exame, etc”.

Olha, eu também.

Mas não houve democratização dos meios de comunicação… fazer o quê se a gente só tem 4 famílias mandando nos meios de comunicação num país com 200 milhões de habitantes…

Aí aparece o governista novamente: “Ah, mas com o congresso que tá aí”.

Não amiguino carinhoso… isso também não vale como argumento, pois Lula entrou em 2002, com 80% de aprovação e, 8 anos depois Dilma idem e com a maioria da bancada no congresso ao seu favor. Não democratizaram porque não quiseram. Simples.

Mas notícia só vale para o governista quando vem do Forum do Eixo, da Cycy Morena, do Diário do Centro do Machismo e P Amorim, esses jornalistas que são tão comprometidos com as verdades oficiais.”

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por fim, eu digo, mudando um pouco o eixo da conversa:

pra mim, acompanhar o noticiário converteu-se em um investimento narcissista.

eu me informo sobre a crise no egito não por empatia e curiosidade, não por realmente me importar com o destino do povo egípcio, mas sim para me gabar de minha cultura, para ter assunto no almoço com as colegas de trabalho, para impressionar a chefa.

ou, como diz a nova campanha de um canal de notícias que sabe EXATAMENTE o que está vendendo: “torne-se indispensável”

e eu me pergunto: o que quero? me tornar indispensável? ou me tornar uma pessoa melhor?

existe algo de seriamente errado em uma cultura que vende como fundamental a necessidade de saber o nome do presidente da frança mas não do porteiro do prédio.

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Outrofobia

outrofobia. s.f. rejeição, medo ou aversão ao outro. termo genérico utilizado para abarcar diversos tipos de preconceito ao outro, como machismo, racismo, homofobia, elitismo, transfobia, classismo, gordofobia, capacitismo, intolerância religiosa, etc. claudia regina é fotógrafa. alex castro é escritor.

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