escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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02 de março de 2011, 17h57

A queda de Emir Sader: o professor fala!

Emir Sader caiu antes de assumir a presidência da Casa de Rui Barbosa. Caiu depois de dar uma entrevista à "Folha". À "Folha"? Sim. Na minha humilde opinião, o professor cometeu um erro básico: confiou na "Folha". O objetivo do jornal era derrubá-lo. Estava na cara.

Emir Sader caiu antes de assumir a presidência da Casa de Rui Barbosa. Caiu depois de dar uma entrevista à “Folha”. À “Folha”?

Sim. Na minha humilde opinião, o professor cometeu um erro básico: confiou na “Folha”. O objetivo do jornal era derrubá-lo. Estava na cara. Emir Sader pode ter sido inábil em uma ou outra declaração. Ok. Mas ele esperava o que da “Folha”?

No governo Lula, havia três personalidades que a velha mídia não perdoava – pelas posições claras, pela disposição de travar o combate político e ideológico: Marco Aurélio Garcia, Márcio Pochmann e Franklin Martins.

Franklin decidiu não permanecer no governo de Dilma. Emir se somaria aos outros dois, nesse time que não abre mão de ser de esquerda, nem baixa a cabeça para o consenso liberal – seja na economia, seja na política externa, seja na política.

Pochmann e Marco Aurélio seguem por lá. Até quando?

Bom saber que o professor Emir Sader segue disposto a travar o mesmo combate, agora fora do governo. É o que ele revela no texto que reproduzo abaixo.

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por Emir Sader

Consultado sobre a possibilidade de assumir a direção da Fundação Casa de Rui Barbosa, elaborei proposta, expressa no texto “O trabalho intelectual no Brasil de hoje”. No documento proponho que, além das suas funções tradicionais, a Casa passasse a ser um espaço de debate pluralista sobre temas do Brasil contemporâneo, um déficit claro no plano intelectual atual.

Como se poderia esperar, setores que detiveram durante muito tempo o monopólio na formação da opinião pública reagiram com a brutalidade típica da direita brasileira. Paralelamente, o MINC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto.

Dificuldades adicionais, multiplicadas pelos setores da mídia conservadora, se acrescentaram, para tornar inviável que esse projeto pudesse se desenvolver na Casa de Rui Barbosa. Assim, o projeto será desenvolvido em outro espaço público, com todas as atividades enunciadas e com todo o empenho que sempre demonstrei no fortalecimento do pensamento crítico e na oposição ao pensamento único, assumindo com coragem e determinação os desafios que nos deixa o Brasil do Lula e que abre com esperança o Governo da Presidente Dilma.

Rio de Janeiro, 2 de março de 2011
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro


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