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por Rodrigo Vianna

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06 de junho de 2014, 11h55

Azenha: impedir a Copa é tolice

No Brasil, somos pré-capitalistas. Graças ao monopólio -- que João Havelange e Ricardo Teixeira ajudaram a sustentar na FIFA e na CBF, em favor da ISL e da Globo --, um grupo reduzido de clubes fica com a parte do leão. Aos outros, resta quase nada.

Por Luiz Carlos Azenha, no Facebook

Impedir a realização da Copa no Brasil, a essa altura, é uma tolice. E olha que, tendo estudado mais de dois anos os bastidores do futebol, passei a concordar com o Andrew Jennings: a FIFA atua como máfia.

Se eu fosse protestar contra o futebol, hoje, focaria na estrutura que é espelho da sociedade brasileira: está montada de tal forma a concentrar a renda no topo, feito uma pirâmide.

Os estádios foram privatizados. Quem administra quer lucrar a qualquer custo. O lucro exige a expulsão dos torcedores pobres. O lucro foca nas famílias que tem dinheiro, pois delas pode ser extraído não apenas o preço do ingresso, mas o das compras no shopping dentro do estádio — nos Estados Unidos, até cabeleireiro tem.

A diferença é que nos Estados Unidos todas as grandes ligas — NFL, NBA e MLB, por exemplo — trabalham pelo equilíbrio entre os clubes. É a lógica capitalista. É preciso desenvolver mercados. O time de Chicago tem de ser campeão este ano e o de Miami no ano que vem. É preciso haver competição.

Por isso, na seleção dos atletas que ascendem ao profissionalismo, os piores classificados deste ano têm as melhores escolhas no ano seguinte. Por isso, os direitos de TV que sustentam os clubes são distribuídos de forma mais equânime.

No Brasil, somos pré-capitalistas. Graças ao monopólio — que João Havelange e Ricardo Teixeira ajudaram a sustentar na FIFA e na CBF, em favor da ISL e da Globo –, um grupo reduzido de clubes fica com a parte do leão. Aos outros, resta quase nada. É por isso que teremos estádio sem clube na primeira divisão em várias cidades da Copa, dentre elas Cuiabá e Manaus.

Os torcedores locais já não torcem pelos seus clubes, já que na TV só assistem aos clubes de São Paulo e do Rio. Compram camisetas dos clubes de fora. Neste sentido, o torcedor de Manaus corre o risco de ser duplamente “colonizado”: torcer pelo Barcelona e pelo São Paulo.

É o monopólio que impõe transmissões às dez horas da noite em dia de semana. Que compra para não mostrar. Que destruiu o embrião de uma liga.

De que adianta ter uma CBF milionária se os clubes estão falidos e centenas de jogadores ficam desempregados depois dos campeonatos regionais?

Há muito a fazer para reformar o futebol brasileiro. Impedir a realização da Copa não vai contribuir em nada com isso.


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