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por Rodrigo Vianna

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10 de junho de 2013, 20h51

Datafolha manda recado para PT

Avaliações dos governos do PT sofrem queda e Alckmin ganharia até de Lula no estado de SP.

por Renato Rovai

O Datafolha divulgou pesquisas neste fim de semana com avaliações dos governos Dilma, Alckmin e Haddad. E ainda fez simulações eleitorais para presidente e governador do Estado. As pesquisas são melhores para os tucanos do que para petistas. Essa é a conclusão inevitável a se extrair dos resultados publicados.

O estado de São Paulo vive uma crise na área de segurança pública que poderia ter arrastado o atual governador para uma situação à la Kassab. Mas isso não ocorreu. Se a eleição fosse hoje, o tucano ganharia com folga da maior liderança nacional do PT, Lula (42% a 26%). Isso não é pouco. Significa que o fôlego de Alckmin é muito maior do que algumas lideranças petistas estavam avaliando.

Por outro lado, a queda de 8% na avaliação de ótimo é bom de Dilma e o aumento do ruim e péssimo de Haddad de 14% para 21% revelam que há um eleitorado que estava menos crítico aos governos do PT que vem se movimentando.

Mesmo em momentos diferentes dos seus governos, esses resultados são sinais de um final de lua de mel. No caso de Dilma, o ótimo e bom migrou para o regular. É a típica mensagem do eleitor dizendo ao governante que não está gostando muito do que está vendo. E que pode pular o muro. No caso Haddad, mesmo ele estando com uma avaliação melhor do que outros prefeitos neste momento da gestão, a maior parte da população acha que ele poderia estar fazendo uma gestão melhor, o que é bastante preocupante.

Pesquisas eleitorais servem para ajustar o rumo. E no caso de Dilma o que está impactando a população é a sensação de que a inflação está voltando. E se isso vier a perdurar, pode dar o discurso que a oposição precisa. Afora isso, nos movimentos sociais a decepção com a presidenta é bastante alta. E ela pode vir a perder seus principais guerreiros para o caso de vir a enfrentar uma batalha difícil em 2014. Não são poucas as lideranças que estão “por aqui” com o atual governo e que já estão dizendo que na hora da eleição vão mandar Dilma ir buscar votos com a Kátia Abreu, por exemplo.

Quanto a Haddad, o buraco é mais embaixo. São Paulo é uma cidade difícil de ser governada porque vive a ponto de explodir. E há uma expectativa muito grande de que o prefeito comece a dar um jeito rápido em problemas históricos, como o da mobilidade.

Mas isso não vai acontecer em curto espaço de tempo. Por essa razão, o que resta é buscar ampliar o diálogo, mudar com celeridade o que for possível e ao mesmo tempo ir pautando a cidade com uma agenda positiva. E isso ainda não está acontecendo. É essa sensação de um vazio de ações que pode ser o ingrediente de uma certa decepção de boa parte dos eleitores.

A mídia tradicional ainda não foi à guerra com Haddad. E mesmo assim seus números já não são tão alvissareiros. Conforme o processo eleitoral de 2014 for se aproximando, a forma de lidar com o seu governo vai endurecer. Daqui a pouco a culpa pela falta de segurança em São Paulo vai ser culpa do prefeito. E não do governador.

A despeito de ser muito menos importante do que já foi nos governos Erundina e Marta, a velha mídia vai fazer o seu papel histórico. Poderia ser menos grave do que provavelmente vai ser. E nesse aspecto, o PT pagará o preço de seus dirigentes e administradores privilegiarem esses veículos em detrimento de novos produtos de informação.

Enfim, se a avaliação do governo Haddad já teve uma queda ainda com o jogo em banho maria, a continuar nessa toada, dias piores virão. O PSDB tem o que comemorar com os resultados do Datafolha. Quem faz outra leitura, atua como animador de torcida. O que é válido, mas não é sério do ponto de vista da análise.


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