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por Rodrigo Vianna

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29 de abril de 2014, 10h12

Jornais manipulam contexto da fala de Lula sobre condenados do mensalão

Lula descartou a possibilidade de candidatura e explicou que, para ele, o que precisa ser dito sobre mensalão não têm a ver com indicações. Daí o "não se trata de (ser) gente de minha confiança (ou não)".

Por Cíntia Alvez, do GGN

A entrevista que Luiz Inácio Lula da Silva concedeu à RTP (Rádio e Televisão de Portugal) repercutiu nos portais noticiosos e nas páginas dos jornais impressos brasileiros nesta segunda-feira (28).

O Estado de S. Paulo eFolha decidiram dar destaque à avaliação do petista em relação à Ação Penal 470, mais conhecida como mensalão. Para ele, o caso, no futuro, será recontado, pois “o julgamento teve 80% de decisão política e 20%, jurídica”. “Esse massacre visava destruir o PT, mas não conseguiu”, disse, de fato.

Os jornais também destacaram o trecho em que supostamente Lula teria dito que os presos do mensalão – mais especificamente os petistas José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno – não são “gente de minha confiança”. A Veja, por sua vez, sugeriu em coluna que Lula insinuou não conhecer os três personagens.

O contexto real das respostas dadas a Cristana Esteves pode ser confirmado na entrevista original (clique aqui para assistir na íntegra). A jornalista portuguesa vinha questionando Lula sobre os motivos pelos quais ele decidiu não se candidatar para as eleições presidenciais deste ano, tentando entender como um “político tão popular” abre mão dessa disputa.

A jornalista argumentou, inclusive, que a presidente Dilma Rousseff (PT) está a frente dos demais candidatos – Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) – nas pesquisas de intenção de voto, mas que Lula estaria mais a frente ainda se aceitasse o desafio de retornar ao comando do Palácio do Planalto. Ela indagou, então, se teria o ônus político do mensalão arranhado a imagem de Lula.

Nessa hora, o presidente de honra do PT descartou a possibilidade de candidatura e explicou que, para ele, o que precisa ser dito sobre mensalão não têm a ver com indicações que ele fez ou deixou de fazer enquanto presidente da República. Daí o “não se trata de (ser) gente de minha confiança (ou não)”. Mas se é para falar em indicações, aponta Lula, que fique registrado que ele não indicou apenas os “companheiros de PT” para cargos públicos de peso, mas também os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgaram o caso. “Cada um cumpre o seu papel”, frisou.

Reproduzindo o trecho:

Cristina: Ainda se candidatar ou não?

Lula: Em política, a gente nunca pode dizer não. Mas eu já cumpri minha tarefa no Brasil. Eu sonhava em ser presidente porque eu queria provar que eu tinha mais competência para governar o país do que a elite brasileira. E provei.

Cristina: E Dilma está conseguindo provar [o mesmo]?

Lula: Dilma é uma mulher de extrema competência. É a primeira vez que uma mulher governa um país do tamanho do Brasil…

Cristina: Mas está abaixo de você nas sondagens. Estamos a cinco meses das eleições presidenciais. Até que ponto isso pode ser penalizador?

Lula: Ela vai ganhar as eleições.

Cristina: As sondagens dizem que sim, mas Lula da Silva estaria bem à frente…

Lula: Mas Lula da Silva não vai ser candidato, então não conta.

Cristina: Mas o que é certo é que sua popularidade acabou por não ser poliscada (sic) em situações em que ficou seu partido foi envolvido no caso do mensalão e, agora, no caso da Petrobras. Todas essas situações não beliscaram a sua popularidade?

Lula: Tem uma coisa que as pessoas precisam compreender: o povo é mais esperto do que algumas pessoas imaginam. O tempo vai se encarregar de provar que no mensalão você teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica.

Cristina: Mas os homens de sua confiança estavam envolvidos…

Lula: Não, não, não se trata de gente da minha confiança. Tem companheiro do PT preso. Eu indiquei seis pessoas para a Suprema Corte, que julgaram, e acho que cada um cumpre com o seu papel. O que eu acho é que não houve mensalão, mas não vou ficar discutindo decisões da Suprema Corte. Eu só acho que essa história será recontada. É só uma questão de tempo para se saber o que aconteceu na verdade. Acho que tem muita coisa para se entender nesse processo, porque esse processo foi um massacre que visava destruir o PT. E não conseguiram. O que é importante…

Cristina: …É que para muita gente, poder virou sinônimo de corrupção. É isso o que está acontecendo?

Lula: O que é importante é que quando uma pessoa é honesta e decente, as pessoas enxergam nos olhos. Não adianta dizer que o Lula pratica qualquer ato ilícito porque o povo me conhece. Eu sou filho…

Cristina: …E o povo parece te querer de volta para resolver os problemas…

Lula: …Eu sou filho de pai e mãe analfabetos. O único patrimônio que minha mãe me deixou foi a conquista de andar com a cabeça erguida. Eu sei o valor de andar com a cabeça erguida. Eu sofri para chegar lá. Não é uma denúncia ou um adversário que vai fazer o Lula tremer ou ceder.

Cristina: Então está fora de questão o senhor voltar à vida política?

Lula: Eu vou ser cabo eleitoral da Dilma.


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