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por Rodrigo Vianna

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18 de agosto de 2011, 11h15

Com carinho e verbas, Dilma acalma aliados

Por Ricardo Kotscho: De um dia para o outro, o noticiário político sobre a faxina geral da presidente Dilma e a rebelião da base aliada mudou da água para o vinho ou vice-versa, dependendo do freguês. Em apenas 48 horas, duas iniciativas da presidente acalmaram os políticos governistas: longas conversas depois do expediente no Palácio do Planalto com os líderes dos principais partidos e a promessa de que, finalmente, serão liberadas as verbas das emendas parlamentares.

Com carinho e verbas, Dilma acalma a base aliada
Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho

De um dia para o outro, o noticiário político sobre a faxina geral da presidente Dilma e a rebelião da base aliada mudou da água para o vinho ou vice-versa, dependendo do freguês.

Em apenas 48 horas, duas iniciativas da presidente acalmaram os políticos governistas: longas conversas depois do expediente no Palácio do Planalto com os líderes dos principais partidos e a promessa de que, finalmente, serão liberadas as verbas das emendas parlamentares.

Nem saiu tão caro: a ministra Ideli Salvatti anunciou no almoço com líderes da base a liberação até setembro de R$ 700 milhões dos chamados restos a pagar do ano passado e mais R$ 1 bilhão assim que possível.

Para uma conta de R$ 7 bilhões em novas emendas que os deputados governistas apresentaram para este ano, Dilma fez um bom negócio.

Fora isso, deu atenção e carinho a uma base carente que reclamava de não ser ouvida pela presidente da República _ na verdade, desde sempre a principal causa da “operação padrão”, que paralisou os trabalhos na Câmara Federal na semana passada.

Dilma parece ter ouvido os conselhos de Lula e resolveu dar um tempo na faxina para evitar seu isolamento político, depois que o combate à corrupção bateu no PT e no PMDB, seus principais aliados.

Desta forma, não faz muita diferença a “declaração de independência” do PR de Alfredo Nascimento e Valdemar Costa Neto, principal alvo da faxina deflagrada a partir de denúncias na imprensa.

Em troca, ela recebeu apoio suprapartidário até de importantes setores da mídia que nunca admitiram o PT no governo, e lideravam na prática a oposição, desde a primeira posse de Lula em 2003.

Oposição partidária, como sabemos, praticamente não existe: entre os 513 deputados federais, no máximo 80 votam contra o governo. Os 40 do independente PR vão ter que ser negociados caso a caso a cada votação importante _ como, aliás, já eram, antes do partido ficar magoado com a faxina. O problema estava mesmo era na base aliada.

Para completar o cenário favorável, Dilma ainda pode ganhar esta semana a adesão do PV pós-Marina Silva, além do nascente PSD de Gilberto Kassab, que já se declarou dilmista de carteirinha e anuncia a cota de 40 deputados federais para a sua legenda.

De repente, parece que tudo se acalmou em Brasília, a ponto do comandante da base rebelada, Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB, anunciar sua imediata adesão ao que chamou de novo período do governo: “Pelo que vi e ouvi esta semana, a Dilma já é a minha candidata em 2014”.

Os ministros Wagner Rossi, da Agricultura, e Pedro Novais, do Turismo, ambos do PMDB, continuam tão enfraquecidos e ameaçados quanto antes, com novas denúncias em suas áreas surgindo a cada momento, mas isto agora já não importa tanto, desde que as emendas parlamentares sejam mesmo contempladas.

Pode ser até que haja uma trégua na disputa por cargos e verbas entre PT e o PMDB, um desconfiado de estar por trás das denúncias contra o outro, pois no Ministério do Turismo ambos foram alcançados igualmente pela ação da Polícia Federal.

Com os bons números das pesquisas sobre a avaliação do seu governo, variando entre 48% e 49%, tudo indica que a presidente Dilma Rousseff terá pela frente agora alguns dias de calmaria, pelo menos até a próxima denúncia de malfeitos e malversações de verbas públicas.

Assim, quem sabe, cessam também as conversas entre aliados descontentes sobre a volta de Lula em 2014.

Tem muito tempo até lá. Um eventual fracasso do governo Dilma poderia abalar também a boa imagem deixada por Lula, já que foi ele quem bancou sua candidatura e é seu fiador.

Perde seu tempo, portanto, quem jogar numa ruptura entre criador e criatura por conta da diferença de estilos. Tão diferentes e tão iguais, um depende do outro para sobreviver politicamente e chegar com fôrça a 2014.


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