sábado, 19 set 2020
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Luis Nassif: Jogo eleitoral não começou ainda

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

No início de 2010, o presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro deu várias entrevistas assegurando que Dilma Rousseff perderia as eleições. Baseou-se em supostos “padrões históricos” das eleições brasileiras, uma baboseira que deve ter deixado de cabelo em pé seus estatísticos.

Após a redemocratização o país experimentara apenas cinco eleições, uma totalmente imprevisível (a de Fernando Collor), uma não repetível (a de Fernando Henrique Cardoso nos ventos do plano Real), uma do maior fenômeno popular da política brasileira (Lula) e duas reeleições. Qual o padrão?

Agora, sem o mesmo chutômetro de Montenegro, dá-se como favas contadas a reeleição de Dilma Rousseff. A ponto de jornais engajados com (qualquer) oposição sugerirem a candidatura de Joaquim Barbosa e Marina Silva, para impedir a vitória do primeiro turno.

Do lado da Dilma consolida-se a percepção de que basta deixar tudo como está para garantir a reeleição.

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Devagar com o andor. O jogo não começou ainda.

Desde a redemocratização, apenas um fato tornou-se padrão: a criação de ondas alternadas, com a opinião pública indo de um a outro candidato até se consolidarem as posições dos líderes.

Em 1994 Lula liderou boa parte da campanha e acabou derrotado no primeiro turno. Em 2001 houve o fenômeno Roseana Sarney, fulminado por uma operação de espionagem do esquema José Serra com a Rede Globo. Houve o fenômeno Garotinho, Ciro Gomes.

Cada um desses movimentos desperta forças imprevisíveis, contra ou a favor.

Em 2010, a campanha obscurantista de José Serra, de repente, encontrou eco na Igreja Católica tradicional e nos evangélicos que, na reta final, quase desequilibraram o jogo.

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No estágio atual, os pré-candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos apontam para a falta de um projeto de desenvolvimento de Dilma, os problemas operacionais do governo e o baixo crescimento. E julgam que durante a campanha, haverá suficiente espaço para desconstruir sua imagem.

Não levam em conta que, durante a campanha, Dilma terá também espaço para apresentar suas realizações, especialmente na área social, e sua equipe terá condições de pensar objetivamente em formas de criar expectativas favoráveis para o segundo mandato.

Do lado de Dilma, há a convicção de que nenhum dos dois candidatos têm um projeto alternativo de governo capaz de sensibilizar o eleitorado. E as pesquisas indicam diferença abissal entre ela e os demais.

Ignora-se que ambos têm também baixa taxa de rejeição, o que facilita o marketing da renovação, ainda que fundado apenas na imagem pessoal de ambos.

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De lado a lado, há vulnerabilidades enormes a serem exploradas.

Do lado da oposição, a incapacidade de definir um discurso minimamente voltado para as classes C e D. Valorizam mais os almoços empresariais do que o desenvolvimento de um projeto que contemple os desassistidos.

Do lado de Dilma, o afastamento de todas as forças sociais relevantes, das organizações sociais e sindicatos ao meio empresarial. E o acúmulo cada vez maior de pepinos que irão estourar em 2015.

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De qualquer modo, até começar o jogo, os dois lados já terão tempo para montar estratégias que levem essa conta todos esses aspectos.