escrevinhador

por Rodrigo Vianna

Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
15 de fevereiro de 2014, 17h13

O jeito é Janio: Operação Barbosa tem a “Veja” como porta-voz

por Rodrigo Vianna

“Acho que já chegou a hora de sair”. O anúncio, oficioso, não poderia ter sido publicado em local mais apropriado: as páginas mal cheirosas de “Veja”.

Joaquim Barbosa não convocou uma entrevista coletiva, não lançou uma nota oficial por sua assessoria no STF. Não. Fez vazar a informação através da revista que é o núcleo duro (e obtuso) do conservadorismo no Brasil: criticado por juristas das mais variadas extrações, o homem que avacalhou as instituições jurídicas brasileiras corre da verdade para lançar-se às urnas. Sob os auspícios da Globo e da Veja, Barbosa deve deixar o STF nos próximos meses.

Desde novembro, registrei nesse blog minha avaliação: estava lançada pela direita midiática a “Operação Joaquim Barbosa“. As prisões no 15 de novembro, e antes disso a estranha viagem aos EUA (Barbosa foi visitar e conversar com quem? A candidatura dele tem quais conexões com os EUA? Por que pediu que prendessem, até, uma repórter que ousou se aproximar da universidade onde daria “palestra”?), o discurso moralista rastaquera – mas tão a gosto de certa classe média brasileira… Tudo isso era o prenúncio de uma candidatura que não parece improvisada. Está sendo construída nos dutos mal iluminados que ligam o Jardim Botânico à Marginal Pinheiros.

Depois da capa anterior da “Veja” (Civilização e Barbárie), explorando de forma canhestra a foto do jovem negro preso pelo pescoço, eu reafirmara: ali estava o programa e a pauta que embalariam Barbosa: o candidato da “ordem“, do falso moralismo.

Na última semana, Barbosa aprofundou a agenda de candidato: desfez decisões de seus pares no STF, mostrou-se como o “anti-PT” extremado. Barbosa – como a lei permite -pode sair do STF e filiar-se a um partido ali por abril ou maio. A filiação precisa ser feita (PPS, PTN, PRTB, ou qualquer outro nanico disposto à aventura?). Mas ele não precisa lançar-se candidato a presidente imediatamente. Pode esperar a Copa, avaliar se a agenda da “ordem” (que depende do “caos” nas ruas) pode se aprofundar.

Se a conjuntura (e a mão de gato de quem, desde os anos 60, quer colocar o Brasil de joelhos – como ocorre na Ucrânia, na Venezuela) ajudar, ele sai candidato a presidente. Tira votos – sim – de Aécio e de Eduardo Campos. Embola o jogo na oposição. Mas pode, no limite, tirar votos também de Dilma – entre setores mais afetos ao moralismo, na “nova classe média”.

Sem Barbosa, Aécio é candidato para 20% ou 25% dos votos. Eduardo pode chegar a 15%. A oposição precisa de outro nome para garantir segundo turno. Barbosa pode reduzir a votação de Aécio e Eduardo. Sim. Para a direita midiática, o que interessa é que ele tenha algo em torno de 15%, e que esse montante (somado a Aécio e Eduardo) leve a eleição pro segundo turno.  

Se Barbosa sair mesmo do Supremo, qualquer movimento no STF daqui até a eleição – procurando reverter as decisões atropeladas e destemperadas por ele adotadas – lançará água no moinho da candidatura aventureira.

Barbosa – se vingar a Operação capitaneada pela direita midiática – será o candidato do anti-petismo, da “ordem”, do moralismo rastaquera.

Não é à toa que essa agenda tem adotado como símbolo a vassoura verde-amarela. É o janismo reciclado. Barbosa: o jeito é Janio!

Se a pauta da “ordem” não vingar, Barbosa sai candidato ao Senado. Ganha uma tribuna para defender, no Congresso, seus malfeitos jurídicos.

Mas há um detalhe: o feiticço pode virar contra o feiticeiro… Barbosa está sendo lançado para garantir um segundo turno em que Aécio possa enfrentar Dilma. Mas quem garante que ele não atropele tucanos e demos e vire -sozinho – um salvador da pátria? Perigoso, irascível…

A “Veja” já inventou Collor. Sorrateiramente, começa a inventar um novo “salvador”. Haja estômago para aguentar o janismo do século XXI.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum