escrevinhador

por Rodrigo Vianna

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21 de julho de 2014, 11h04

Tragédia aérea na Ucrãnia é capítulo de amplo conflito na porção oriental

Fim do conflito na porção oriental do território ucraniano não serpa alcançado por meios bélicos. É imperativo que as potências européias, Estados Unidos e Rússia pressionem Kiev e os separatistas da costa do Don para que se sentem à mesa de negociações.

Do La Jornada, na Agência Carta Maior

De acordo com todas as versões disponíveis, o avião malásio que caiu no leste da Ucrânia com 298 pessoas a bordo – nenhuma das quais sobreviveu – foi objeto de um atentado com armas antiaéreas. Enquanto as autoridades de Kiev acusam os rebeldes pró-russos, que proclamaram no leste do país uma República Popular de Donetsk (RPD), estes afirmam que não possuem mísseis aéreos com alcance suficiente para derrubar a aeronave, que voava a uma altura de 16 mil metros. Ao mesmo tempo, acusaram a Força Aérea da Ucrânia pelo ataque, versão que é respaldada por Moscou. O governo pró-ocidente encabeçado por Petro Poroshenko afirma que os rebeldes do leste possuem sistemas antiaéreos Buk, capazes de alcançar aparatos comerciais. Os segundos negam ter esse tipo de armamento, que em contrapartida é regulamentar nos arsenais ucranianos.

Seja qual for a verdade, a queda do vôo MH17 da Malasyan Airlines, que cobria a rota Amsterdã-Kuala Lumpur, constitui uma tragédia lamentável que se soma à perda de outra aeronave dessa mesma companhia em março passado no oceano Pacífico e cujo paradeiro não foi esclarecido. O desastre na Ucrânia é ainda mais doloroso e desesperador porque, de acordo com os indícios disponíveis, foi conseqüência de um ataque deliberado. Nenhuma causa política e nenhuma postura ideológica pode justificar o assassinato em massa de civis; quem atacou a aeronave derrubada cometeu um crime repudiável que deve ser esclarecido e sancionado.

Não se pode deixar de lado, da mesma forma, a extrema irresponsabilidade da companhia aérea e das autoridades aeronáuticas civis da Holanda e da Malásia ao não considerar uma mudança da rota habitual dos voos entre Amsterdã e Kuala Lumpur para evitar um lugar nitidamente perigoso, como é a região fronteiriça russo-ucraniana – repleta de armas antiaéreas de diversos tipos e na qual foram derrubadas várias aeronaves militares semanas atrás.

Desde já, a investigação correspondente não parece ser fácil. Ao que parece, os rebeldes da RPD têm a zona em que caiu o avião sob seu controle. Afirmam que as caixas pretas estão sob sua guarda e ofereceram uma trégua e facilidades para que ocorram as pesquisas procedentes. No entanto, é claro que a investigação não deve recair em qualquer uma das partes em conflito nem em todas elas somadas – isto é, os governos ucraniano e russo, além dos líderes separatistas da Bacia do rio Don –, mas deve ser colocada nas mãos de uma instância internacional, porventura dependente das Nações Unidas, capaz de garantir uma mínima imparcialidade. De qualquer forma, não é provável que, do exame das caixas pretas, se possam extrair resultados conclusivos sobre a autoria do atentado.

Por último, a tragédia aérea que custou a vida de quase 300 pessoas coloca em destaque a urgência de acabar com o conflito na porção oriental do território ucraniano, e isso não se pode conseguir por meios bélicos, mas mediante um processo de paz entre as partes envolvidas. É imperativo que as potências européias, Estados Unidos e Rússia pressionem Kiev e os separatistas da costa do Don para que se sentem à mesa de negociações.

Tradução: Daniella Cambaúva


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