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por Rodrigo Vianna

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05 de Maio de 2014, 10h23

#VoltaCidMoreira: nem “Mister M” salvaria a Globo da queda contínua de audiência

"O problema não é de apresentador. A imagem da Globo se esfarela rapidamente. E o #VoltaCidMoreira é apenas mais um sintoma." (Rodrigo Vianna)

Cid Moreira já está no aquecimento

por Rodrigo Vianna

Na internet começou a circular ontem a brincadeira: depois do “Volta Lula”, a próxima campanha será “Volta, Cid Moreira”. O locutor com cabelo branco e vozeirão empostado era o símbolo de uma Globo que reinava absoluta até os anos 90, e era capaz de manipular eleições, ignorar campanhas populares (“Diretas-Já”), e que nas noites de domingo conquistava até 70% da audiência (share) com o tradicional “Fantastico”.

Nos últimos anos de carreira, Cid emprestava sua voz para o quadro “Mister M”. Já era uma certa apelação. Mas há quem diga que nem mágica resolve no caso da audiência da Globo em queda contínua.

Se Dilma parece ter contornado bem o “Volta Lula”, a Globo sente imensas dificuldades para mostrar que pode manter a hegemonia na TV aberta. O problema não é de apresentador. A imagem da Globo se esfarela rapidamente. E o #VoltaCidMoreira é apenas mais um sintoma.

"Mister M": qual a mágica para recuperar audiência?

Quando entrei na Globo como jovem repórter, em 1995, o “JN” dava quase 50 pontos de Ibope (atenção, não confundir os “pontos de audiência” com o percentual de audiência; 50 pontos – com 80 pontos de televisores ligados no total, por exemplo – significavam mais de 60% de “share”/participação na audiência). Lá pra 2004, lembro que houve um princípio de crise na Globo porque o JN caíra para 40 pontos, sendo ultrapassado pelo noticiário local – SP/TV, que dava 41 ou 42.

Em 2007, fui pra Record. Havia sido escorraçado na Globo, por não concordar com a cobertura eleitoral conduzida por Ali Kamel na eleição de 2006.

Outros jornalistas da Globo já tinham ido pra Record, sem briga política, apenas por acreditar num projeto novo. Os chefões no Jardim Botânico – com a arrogância de quem vê a zona sul carioca como centro do mundo – mandavam recados aos que saíam: “vocês precisam saber que saindo para um concorrente terão as portas fechadas na Globo, para sempre”.

Hehe. Acreditavam na eternidade do poder da emissora. Assim como Roberto Marinho acreditava que jamais morreria.

Em 2007, o “JN” já tinha caído para algo em torno de 35 pontos de audiência. O “Jornal da Record” lutava para conseguir 11 ou 12 pontos – o que significava um terço da audiência do “JN”.

Pois bem: o JN da Globo – em 2014 – tem registrado audiências abaixo dos 20 pontos!

O “Fantastico” também segue ladeira abaixo. As novelas ainda seguram a Globo – quando encaixam um enredo bom. Já o jornalismo,  sob a direção de Ali Kamel, parece mais preocupado em lutar contra a realidade. Kamel usou o aparato global para fazer campanha contra as quotas raciais (ele nega que haja racismo no Brasil), contra o PROUNI, contra  o Bolsa-Família.

O “JN” e  o “Fantastico” adotaram a agenda conservadora do jornal “O Globo”. O diário impresso podia-se dar a esse luxo, já que fala para a zona sul carioca – para militares de pijama, donas de casa, empresários, funcionários públicos e aposentados em geral. Já a TV Globo costumava falar com o Brasil inteiro… Era um canhão, arma poderosa que Ali Kamel usou em seu projeto conservador – antitrabalhista, anticotas, antiprogramas sociais.

A redução de audiência, reconheça-se, viria de qualquer jeito, por causa das mudanças estruturais na Comunicação – provocadas pelo avanço da internet e da TV a cabo.  Mas virou queda abrupta porque a TV Globo e seu jornalismo deixaram de falar para a grande massa de brasileiros.

Vejam o formato novo do “Fantastico”. Elitista, parece dizer: nossa redação é o centro do mundo. Quem quer saber o que os jornalistas cariocas na zona sul discutem em reuniões de pauta? Alguém acha que aquilo é de verdade?

Neste domingo, os números começaram a pipocar: o “Fantastico” da Globo – depois de passar por um banho de loja – voltou a desabar na audiência. Perdeu em vários momentos para a Record. E por pouco não ficou em terceiro lugar no Ibope, empatando com o SBT. A fortaleza global ruiu. Ali Kamel ajudou a fazer o serviço. Gasta tempo e energia da Globo processando blogueiros, em vez de dirigir o jornalismo da emissora.

O texto abaixo é do colunista de TV Daniel Castro – e foi publicado no Conversa Afiada.

Era uma vez um programa semanal que bombava no Ibope. Durante 40 anos, poucas vezes esse programa teve sua liderança ameaçada. A última grande crise aconteceu em 2001, quando o SBT surpreendeu com uma Casa dos Artistas. A ameaça passou, mas audiência continuou caindo, caindo, caindo. Dos mais de 30 pontos de dez anos atrás, caiu para 14,4 pontos há duas semanas, no Domingo de Páscoa.

Como resolver o problema desse programa? Com um cenário novo, uma redação-cenário, uns bonequinhos, umas caretinhas que aparecem no vídeo, muita tecnologia, uns bastidores. Enfim, muita forma, pouco conteúdo.

E não é que deu tudo errado? Neste domingo (4), o Fantástico viveu momentos de alta tensão no Ibope. Perdeu durante um bom tempo para o Domingo Espetacular, da Record, e outro tanto para o Programa Silvio Santos, do SBT. Foram 19 minutos ininterruptos atrás do Domingo Espetacular. Chegou a ficar quatro pontos atrás da Record (16,0 a 12,1) às 22h06.

Por muito pouco não ficou em terceiro. Às 22h12, marcou 12,6, contra 12,5 do SBT. Ufa, foi por um décimo.

(…)

Cenário de programa infantil?


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