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13 de abril de 2019, 19h07

Na crise dos combustíveis, Bolsonaro acerta na intuição e erra no amadorismo

O que o governo deveria fazer com a Petrobras é usar sua prerrogativa como acionista majoritário e escolher conselheiros, presidentes e diretores que sejam capazes de formular uma política de preços que encontre o equilíbrio entre o prejuízo para a sociedade e para a própria empresa

Bolsonaro e a rede de postos da Petrobras (Reprodução)

A intuição de Bolsonaro sobre o preço do diesel – e dos combustíveis em si – está correta, afinal, é fato que a Petrobras e o governo Temer erraram a mão bizonhamente em praticar a paridade do preço do barril do petróleo e do dólar para os preços dos combustíveis.

Basicamente, qualquer flutuação, seja da moeda, seja do petróleo, pesa diretamente no bolso do consumidor brasileiro que nada tem a ver com esse mercado perverso da especulação.

Por isso, a comparação do atual presidente com os números inflacionários do país faz certo sentido: como grande insumo para a economia do país, o petróleo e seus derivados precisam sempre ser considerados em políticas nacionais, e não apenas visando aumentar o lucro das empresas envolvidas.

Vale lembrar que o país não tem infraestrutura atual para ser autossuficiente em explorar, produzir, refinar, distribuir e vender os derivados internamente, por isso fica cada vez mais refém dos preços internacionais. Portanto, a Petrobras realmente prejudica a sociedade ao se assumir uma empresa de mercado, com lucro a todo custo.

Muita gente critica a Dilma pelo o que foi praticado de 2011 a 2014, inclusive apoiadores do governo petista. Contudo, o debate completo sobre esse fato precisa considerar que naquele tempo o país inteiro tinha emprego, comida na mesa e perspectiva de crescimento, pois os juros não foram utilizados para “desaquecer o mercado” (eufemismo para gerar desemprego), como queria em 2013 o futuro ex-presidente do BC,  Ilan Goldfajn.

Se não fosse o boicote do Congresso (até mesmo Bolsonaro agora vê do que o Legislativo é capaz) e toda crise política que culminou no Golpe e na destruição das nossas instituições, o país passaria bem mais tranquilo por toda a crise econômica. E os investimentos da Petrobras seriam cruciais para isso.

Contudo, infelizmente, intuição não é suficiente para governar. O que o governo deveria fazer com a Petrobras é usar sua prerrogativa como acionista majoritário e escolher conselheiros, presidentes e diretores que sejam capazes de formular uma política de preços que encontre o equilíbrio entre o prejuízo para a sociedade e para a própria empresa.

E isso passa, urgentemente, em cancelar qualquer tentativa de venda das refinarias atuais que, entregues ao mercado, tendem a praticar o preço que quiserem sem a menor perspectiva de competição.

Basta ver os diversos postos de gasolinas que temos espalhados pelo país que aproveitam a flutuação dos preços para aumentar a margem de lucro sem sequer pensar em “competir” para atrair mais clientes.

Como bem colocou o petroleiro Tiago Franco, em tweet comentando o vídeo do Coordenador da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel: “Precisamos de uma política transparente, técnica, que prioriza o interesse público e respeita o equilíbrio econômico da Petrobras”.

 


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