quarta-feira, 28 out 2020
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Lula trolou Bolsonaro e reduziu seu discurso de 7 de Setembro a uma chorumela pró-ditadura

CYNARA MENEZES

Foi um golpe de mestre, uma trolagem épica, para usar uma expressão que os robôs do oficialismo adoram. Em pleno 7 de Setembro, Dia da Pátria, a data mais cara ao militarismo e aos falsos patriotas que integram o governo, Lula foi mais rápido que o presidente e fez, poucas horas antes dele, um discurso de estadista, reduzindo o pronunciamento de Jair a uma chorumela anacrônica pró-ditadura militar.

Curto no tempo e na essência, Bolsonaro simplesmente ignorou o coronavírus em seu discurso do Dia da Pátria, a despeito dos milhares de cidadãos mortos e das famílias desfalcadas dos entes queridos. Preferiu recorrer à batida falácia anticomunismo

Exibida às 15h, a fala de Lula, com 23m47s, incluiu todos os assuntos que preocupam os brasileiros neste momento, a começar do coronavírus, a pandemia que já causou 130 mil mortes em nosso país, e subindo. Mencionou a desigualdade racial e social das vítimas. O descaso do governo federal com a doença. O auxílio emergencial. O desemprego. O lucro dos bilionários diante das perdas dos trabalhadores. Os militares sem formação que ocupam cargos na Saúde, contrariando a promessa bolsonaristaa de um ministério “técnico”. Os ataques à soberania e a subordinação aos EUA. A ameaça à Amazônia. O sucateamento das empresas públicas e a entrega do pré-sal a multinacionais estrangeiras. O desmonte da educação pública e a perseguição à ciência e à cultura. A sombra autoritária. O racismo e o machismo estruturais que matam. E se lançou pré-candidato à sucessão de Jair. “Me coloco à disposição do povo brasileiro”, disse.

Cinco horas depois, entrou no ar em cadeia nacional o pronunciamento do presidente, com 2m55s de duração. Curto no tempo e na essência, Bolsonaro simplesmente ignorou o assunto coronavírus em seu discurso do Dia da Pátria, a despeito dos milhares de cidadãos mortos e de tantas famílias desfalcadas dos entes queridos. Preferiu recorrer à batida falácia anticomunismo, copiando a estratégia de Donald Trump em sua campanha à reeleição e a sua própria em 2018. Repetiu clichês sobre “amor à Pátria” e respondeu Lula ao falar em “soberania” e negar que o Brasil seja “submisso a qualquer outra nação”. Copiou inclusive um trecho completo de um editorial de Roberto Marinho de 1984 justificando o apoio da Globo à ditadura 20 anos antes. Por fim, enalteceu a Constituição e a democracia ao mesmo tempo que, de forma incoerente, defendia a ditadura.

Na comparação entre o atual e o ex ocupantes do Planalto, é inegável que a estatura de Lula deixou Jair nanico. A comprovação está na repercussão de ambos os pronunciamentos: com 3,1 milhões de seguidores no youtube, o discurso de Jair teve até agora 92 mil visualizações; o de Lula está com quase 500 mil, a despeito de o petista possuir apenas 210 mil seguidores. A fala do petista incomodou tanto que os bolsominions foram em massa ao perfil de Lula para “dar dislike” no vídeo.

Uma das hashtags que o bolsonarismo conseguiu levantar no twitter foi “ladrão” para se referir ao ex-presidente. E, de fato, o termo “ladrão” é o que mais corresponde ao que Lula fez no Dia da Pátria: roubou a cena de seu principal adversário

No twitter, não havia um só trending topic festejando o discurso do “mito”. Todos os termos, positivos e negativos, que apareceram na noite do 7 de Setembro se referiam ao pronunciamento de Lula, com #LulaFalaAoBrasil ocupando o topo dos tópicos mais comentados da rede social. Mesmo as tags contrárias se referiam também ao discurso de Lula, como #LulaVoltaPraCadeia. 24 horas depois, entre os trending topics da rede social, ainda havia um favorável ao petista: #LulaPresidente2022. O discurso de Bolsonaro passou em branco até para os robôs.

Uma das hashtags que o bolsonarismo conseguiu levantar no twitter foi “ladrão” para se referir ao ex-presidente. E, de fato, o termo “ladrão” é o que mais corresponde ao que Lula fez no Dia da Pátria: roubou a cena de seu principal adversário.

Socialista Morena
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