Zambelli segue mentindo nas redes e diz que contaminação é melhor que vacina da Covid

Deputada bolsonarista destacou manchete completamente descontextualizada para divulgar que a proteção de quem já teve doença é mais potente que a dos imunizados

Carla Zambelli – Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Escrito en BRASIL el

A deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) segue divulgando informações falsas e totalmente distorcidas em seu perfil no Twitter para propagar o ideal antivacina. Próximo das 23h de sábado, a parlamentar ultrarreacionária fez uma publicação na qual afirma, fazendo uso de dois recortes de manchetes jornalísticas, que a proteção imunitária daqueles que tiveram Covid-19 é mais potente que a dos vacinados. Ela utiliza a imagem de um título publicado na revista IstoÉ Dinheiro para comprovar a suposta verdade.

No entanto, a matéria publicada pelo veículo na última quarta-feira (19), informa que “aqueles que sobreviveram à variante delta”, quando têm sua proteção imunológica comparada aos cidadãos vacinados que não tiveram a doença, apresentam defesas mais potentes. O texto salienta que as chances de alguém contaminado não imunizado morrer são altas e que essa estratégia (de não receber a vacina e esperar a contaminação para “se proteger”) jamais poderia ser cogitada, uma vez o risco de perder a vida ou ter sequelas graves em decorrência da Covid-19 é grande.

Os dados distorcidos por Zambelli são de um estudo realizado nos EUA, nos estados de Nova York e da Califórnia. Na própria reportagem ficam claras as desvantagens de não receber as doses da vacina, já que o número de pessoas que se contaminaram após serem imunizadas é de cinco a seis vezes menor do que entre o público antivacina.

https://twitter.com/CarlaZambelli38/status/1485065640096456710?s=19

Zambelli tentou suspender vacinação infantil

A radical de extrema direita já chegou ao ápice do desserviço público ao tentar, na última terça-feira (18), suspender na Justiça a vacinação infantil contra a Covid-19. Sempre amparada nos típicos argumentos bolsonaristas sem qualquer critério científico, lógica palpável ou bom senso, aliados às ameaças e palavras destemperadas, a tese de Zambelli baseava-se num caso ocorrido na cidade de Lucena (PB) onde crianças foram imunizadas por engano com doses para adultos.

O episódio foi um erro de natureza técnica cometido pelos funcionários do serviço público de Saúde e não tem qualquer relação com falta de segurança das substâncias ou com riscos para quem é imunizado. No entanto, sua ação judicial enfatizava a necessidade de “suspensão da aplicação da vacinação infantil até a reavaliação da segurança”, visto que o poder público deveria zelar pela “adoção de medidas seguras e eficazes no combate à pandemia” sem que “em 1º lugar, deve ser priorizada a plena segurança de todos aqueles que optem por receber a imunização”.

Juiz já advertiu e impôs multa a Zambelli

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) teve negado o seu pedido para suspender o decreto estadual que obriga a comprovação de vacinação contra a Covid-19 por servidores. Além de negar o pedido, o juiz Renato Augusto Pereira Maia, da 11a Vara da Fazenda Pública de São Paulo, afirmou que a deputada agiu por má-fé e classificou a peça apresentada por ela como uma “aventura jurídica malsucedida”.

Além disso, ele também determinou que ela pague a multa de cinco salários mínimos.

O juiz Renato Maia afirmou que “é incontestável a legalidade do decreto, bem como seu compasso com as decisões exaradas pelo Supremo Tribunal Federal ao julgar o tema” da vacinação.

“A eficácia das vacinas é resultado de uma conjunção de esforços mundiais, estudos, investimentos, sendo fato incontestável sua eficácia. Negar a eficácia da vacina é negar a ciência e menosprezar o trabalho de inúmeros cientistas e pesquisadores que dedicaram horas de esforços para mitigação dos efeitos dessa pandemia, a qual, só no Brasil, matou 621 mil pessoas”, alegou o juiz.