JUVENTUDE NEGRA

Caso João Pedro: pais do adolescente pedem justiça três anos após a morte do filho

Casal entregou petições que somam mais de 6 milhões de assinaturas ao Ministério da Igualdade Racional e pediu apoio na busca de reparação pelas mortes de garotos negros como o filho

Créditos: Reprodução Facebook/ Arquivo pessoal - O adolescente Joa~o Pedro, de 14 anos, levou um tiro na barriga dentro de casa, em Praia da Luz, São Gonçalo, região metropolitana do Rio
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No dia 18 de maio de 2020, o adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, foi assassinado durante uma operação conjunta das polícias Federal e Civil no Complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O jovem brincava em casa com amigos quando foi atingido por um disparo de fuzil na barriga e morreu.

No dia em que completou três anos do crime, nesta quinta-feira (18), os pais do adolescente, Rafaela Matos e Neilton Costa, estiveram no Ministério da Igualdade Racial, em Brasília, e entregaram petições por justiça que somam mais de 6 milhões de assinaturas e pediram apoio na busca de justiça e reparação pelas mortes dos garotos negros como o filho João Pedro.

MIR (Luna Costa) - Equipe do Ministério da Igualdade Racial recebe familiares de João Pedro

Como Miguel Otávio, morto ao cair de um prédio em Recife (PE) quando estava sob os cuidados de Sari Corte Real, que era empregadora da mãe do garoto. O assassinato completa 3 anos no dia 2 de junho e Sari foi condenada por abandono de incapaz que resultou em morte, mas segue em liberdade. A mãe de Miguel, Mirtes Renata, enviou uma carta com sua mensagem para ser lida no encontro, organizado pela equipe da plataforma de abaixo-assinado e ativismo digital para mudança social Change.Org. 

Os pais de João Pedro foram recebidos pela secretária-executiva da pasta, Roberta Eugênio; pela secretária-adjunta Adriana Marques, e pela assessora especial para assuntos estratégicos Marcelle Decothé.

Pedido de socorro 

“Estamos aqui para pedir socorro, pedir ajuda nessa missão por justiça. O Brasil, o mundo e minha família merecem resposta. São mais de 3 milhões de pessoas que também querem justiça pelo meu filho João Pedro”, enfatizou o pai de João Pedro. 

Roberta se solidarizou com as famílias e destacou que o estado brasileiro deve desculpas, não apenas pela morte de João Pedro e Miguel, mas por todas as crianças e adolescentes vítimas de violência e asassinato.

“É inaceitável que um país permita que seus jovens sejam mortos, que não promova a dignidade de seu povo. É por isso que o Ministério da Igualdade Racial tem como missão construir condições concretas para que a nossa juventude esteja viva. Para ter dignidade é preciso estar vivo”, ressaltou a secretária-executiva, que garantiu apoio imediato do ministério em tudo o que for possível dentro das atribuições institucionais.

“São três anos sem a presença física do meu filho, hoje não é um dia fácil. Estamos clamando por justiça, pois nós perdemos o direito à vida. O direito à vida do nosso filho foi violada pelo estado”, lamentou a mãe de João Pedro.

Caravana Juventude Negra Viva

No mesmo dia do encontro , o ministério lançou, no Ceará, a Caravana Juventude Negra Viva, um movimento de escuta popular que percorrerá todos os estados do país como etapa de construção do Plano Juventude Negra Viva.

Um dos principais focos do plano é a redução da letalidade entre jovens negros de todo o Brasil: segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2021, pessoas negras representaram 77,6% das vítimas de homicídio doloso.

O programa também abrangerá as áreas de segurança pública e acesso à justiça; geração de trabalho, emprego e renda; educação; democratização do acesso à cultura e à ciência e tecnologia; promoção da saúde e garantia do direito à cidade.