domingo, 20 set 2020
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Adolescente é retirada da mãe pelo Conselho Tutelar após participar de ritual do candomblé

Uma adolescente de Araçatuba, no interior de São Paulo, foi retirada dos pais após participar de um ritual de iniciação no candomblé. A atividade foi denunciada pelos familiares da jovem no Conselho Tutelar como “maus tratos e abuso sexual”.

Uma das denúncias foi movida pela avó da jovem, que é evangélica. Com isso, de acordo com reportagem do UOL, a defesa da família afirma que o caso é de intolerância religiosa.

A primeira visita do conselho ao terreiro onde a menina fazia seu ritual de iniciação, espécie de “batismo” do candomblé – que envolve raspar a cabeça e ficar até 21 dias no local – ocorreu no dia 23 de julho. A adolescente chegou a relatar aos conselheiros e policiais que não estava sofrendo qualquer tipo de abuso.

Mãe e filha, no entanto, foram levadas para a delegacia. A jovem precisou passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), que não encontrou nenhum tipo de hematoma ou lesão.

Contudo, familiares continuaram a denunciar a atividade religiosa da jovem. Dessa vez, registraram um boletim de ocorrência alegando que a adolescente estava sendo mantida à força no terreiro e sob condições abusivas.

O caso, por fim, foi novamente denunciado na Promotoria. Familiares alegaram que houve lesão corporal por causa do cabelo raspado. A Justiça então transferiu a guarda para a avó materna e, há uma semana, mãe e filha só conversam por celular e se veem durante visitas curtas.

“O pior de tudo é que em nenhum momento ouviram minha filha ou a mim. Simplesmente a tiraram de mim. Eu nunca a obriguei a nada, esse sempre foi o sonho dela. Ela está chorando a todo momento, me liga de dez em dez minutos querendo vir para casa”, conta a mãe, que é frequentadora do candomblé há dez anos.

Redação
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