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19 de dezembro de 2019, 18h12

Ano novo, tarifa nova: passagem do ônibus em São Paulo deve subir para R$4,40

Aumento, de 2,33%, está sendo estudado pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes e será apresentado a Bruno Covas nos próximos dias

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Rodrigo Gomes, na Rede Brasil Atual 

A prefeitura de São Paulo deve aumentar a tarifa de ônibus de R$ 4,30 para R$ 4,40 a partir de janeiro. O aumento será de 2,33%, abaixo da inflação anual, que está em 3,27%, segundo o IPCA-IBGE. Em janeiro deste ano, o governo Bruno Covas (PSDB) reajustou a tarifa em 7,5%, quando a inflação de 2018 foi de 3,75%, de R$ 4 para R$ 4,30. No acumulado, a tarifa terá aumento de aproximadamente 10% em apenas 12 meses.

O secretário de Mobilidade e Transporte, Edson Caram, confirmou a possibilidade de aumentar o preço da passagem em São Paulo durante reunião do Conselho Municipal de Transportes e Trânsito (CMTT), na manhã desta quinta-feira (19). “Vamos apresentar uma proposta ao prefeito, abaixo da inflação”, afirmou. Caram disse que não vai haver alteração na atual tarifa do Bilhete Único vale-transporte, de R$ 4,57.

A São Paulo Transporte (SPTrans) justificou a necessidade do reajuste, em parte, pela queda na demanda de passageiros do sistema de ônibus. Por diversas razões, de 2018 para 2019 houve redução de 600 mil passageiros por dia. A expectativa é de nova queda em 2020, de cerca de 100 mil passageiros a menos. E também pelo custo da gratuidade para idosos, estudantes e deficientes físicos. O custo total em 2019 é de R$ 3,1 bilhões. Além disso, segundo a SPTrans, a tarifa real do transporte por ônibus deveria ser de R$ 7,26.

A receita tarifária, no entanto, vem crescendo nominalmente, sustentada pelo aumento das tarifas. Em 2017, foram arrecadados R$ 4,7 bilhões com a tarifa de ônibus. Em 2018, foram R$ 4,9 bilhões e este ano a estimativa é de R$ 5,4 bilhões. Ao mesmo tempo, cresce o subsídio à tarifa. De R$ 2,9 bilhões, em 2017, para R$ 3 bilhões, em 2018, e R$ 3,1 bilhões, em 2019. Apesar disso, o governo Covas propôs um orçamento de subsídio em R$ 2,4 bilhões, para 2020, uma redução de R$ 700 milhões em relação a este ano.

Sem justificativa

Para o pesquisador de mobilidade urbana do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Rafael Calabria, não há justificativa para um aumento de tarifa. “Dados econômicos de custos não justificam aumento de tarifa. O sistema é deficitário em todas as cidades do mundo e a prefeitura não agiu para buscar alternativas de financiamento ao sistema. A perda de passageiros se deve principalmente ao custo da tarifa. Um novo aumento só vai levar a mais perda de passageiros em um circulo vicioso”, afirmou.

Para ele, esse aumento vai prejudicar novamente a população das periferias da capital paulista. “Não cabe aumento agora, estamos em um momento de crise, com desemprego. Essa medida vai ter impacto social muito grave na cidade, excluindo ainda mais a população de baixa renda, que foi a mais afetada pelas mudanças realizadas na integração e no vale-transporte”, afirmou.

Em março, a gestão Covas determinou a redução do número de integrações para usuários e o aumento do valor da tarifa do Bilhete Único Vale-Transporte. Os trabalhadores passaram a poder fazer apenas uma integração: utilizando duas linhas de ônibus ou um ônibus e um trem/Metrô, em período de três horas. A passagem foi de R$ 4,30 para R$ 4,57.


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