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06 de agosto de 2019, 19h35

Carlos Bolsonaro volta a questionar quem mandou matar seu pai

Vereador compartilhou um vídeo que repercute a notícia de que o TRF3 proibiu Adélio Bispo, autor da facada contra Bolsonaro no ano passado, de dar entrevistas

Carlos Bolsonaro (Reprodução/Flickr)

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) voltou, nesta terça-feira (6), a falar sobre a facada sofrida pelo seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, no ano passado, em Juiz de Fora (MG), durante a campanha eleitoral.

Desde o episódio, o “pitbull” da família tenta associar a facada a partidos de esquerda, principalmente ao PSOL, legenda que o autor do ataque, Adélio Bispo, já chegou a ser filiado.

“Quem mandou matar Bolsonaro?”, tuitou Carlos após compartilhar um vídeo de um youtuber bolsonarista que repercute a notícia de que o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) proibiu Adélio,  preso provisoriamente na Penitenciária Federal de Campo Grande, de dar entrevistas.

Para o youtuber bolsonarista compartilhado por Carlos, Adélio “quer falar”, e a decisão da Justiça em proibir as entrevistas seria para que ele não revelasse o “esquema”.

O desembargador do TRF3 Nino Toldo, ao proibir as entrevistas, argumentou que tem dúvidas sobre a integridade mental de Adélio, e que uma entrevista agora colocaria em risco sua própria vida. A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que diz, por sua vez, que a entrevista poderia gerar “fanatismo em um ‘palanque político’ montado dentro de uma unidade penitenciária, levando a uma consequência de descrédito das instituições”.

Bolsonaro não recorreu da sentença

O presidente da República, Jair Bolsonaro, não recorreu da sentença que considerou Adélio Bispo de Oliveira como isento de pena e o absolveu. Assim, o autor da facada não poderá ser punido criminalmente, por ter uma doença mental – Transtorno Delirante Persistente. Ele ficará em um manicômio judiciário e não em um presídio.

O fato de Bolsonaro não ter recorrido da decisão é estranho, já que em junho, quando saiu a decisão da absolvição de Adélio, o presidente disse que iria até as últimas consequências: “Estou tomando as providências jurídicas do que posso fazer para recorrer. Normalmente o MP [Ministério Público] pode recorrer também, vou entrar em contato com o meu advogado. Eu tenho a causa pessoal, eu tenho que me defender. E custa caro isso aí, um outro lado custa caro. Vou tomar providências. É um crime contra um candidato a presidente da República que atualmente tem mandato e devemos ir às últimas consequências”.

A decisão do dia 14 de junho do juiz Bruno Savino, da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG), converteu a prisão preventiva em internação por tempo indeterminado. Na sentença, o juiz aplicou a figura jurídica da “absolvição imprópria”, na qual uma pessoa não pode ser condenada. Segundo o G1, ela é baseada em três laudos que avaliou a sanidade mental de Adélio: “1º Laudo (particular) – uma consulta que atestou indício de transtorno delirante grave; 2º Laudo (judicial psiquiátrico) – transtorno delirante permanente paranoide; e 3º Laudo (judicial psicológico) – não revelado – sigiloso”.

Facada e suspeita

Durante comício na cidade de Juiz de Fora, interior de Minas Gerais, então candidato à Presidência, teria sido esfaqueado em setembro de 2018. Adélio Bispo foi preso no mesmo dia e, de acordo com a polícia, confessou o atentado. Dois inquéritos foram abertos para investigar o crime, um deles concluiu que Bispo agiu sozinho. Ele foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na Lei de Segurança Nacional. No segundo, a Polícia Federal investiga conexões do crime.

documentário “A Facada no Mito”, lançado no canal do YouTube “True or not” contém uma análise minuciosa das imagens e circunstâncias do atentado. Os autores do documentário, que ainda são anônimos, mostram incoerências na narrativa que envolve e fatídica facada e apresentam recortes impressionantes das imagens que registraram o momento do ataque, como interações estranhas entre o autor do crime, Adélio Bispo, seguranças do presidente eleito e apoiadores.


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