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10 de setembro de 2019, 14h33

Cervejaria católica se alinha a Bolsonaro, divulga post homofóbico e defende “reinado social e político do Cristo”

Alinhada com a pauta conservadora de costumes de Jair Bolsonaro, que embriagou parte do eleitorado brasileiro em 2018, a Cervejaria Católica Saint Arnulf, causou polêmica nas redes sociais ao divulgar uma mensagem em que diz que é "contra a militância LGBT e não teme perder clientes por isso"

Imagem polêmica divulgada pela cervejaria católica (Reprodução)

Por Lucas Vasques e Plínio Teodoro

Alinhada com a pauta conservadora de costumes de Jair Bolsonaro, que embriagou parte do eleitorado brasileiro em 2018, a Cervejaria Católica Saint Arnulf, causou polêmica nas redes sociais ao divulgar uma mensagem em que diz que é “contra a militância LGBT e não teme perder clientes por isso”.

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“Não temos medo de gritar bem alto o ensino tradicional da única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda que isso nos deixe com apenas um punhado de clientes. Pelo contrário, ficaremos extremamente felizes por isso! Amamos o que ama a Igreja e combatemos tudo o que se opõe ao reinado social e político do Cristo, Nosso Senhor”, diz a publicação feita nesta segunda-feira (9), em meio à polêmica da tentativa de censura homofóbica de livros na Bienal do Rio.

Em menos de 24 horas, a publicação já tem mais de 11 mil comentários e 2,4 mil compartilhamentos. A maioria deles contra o posicionamento da cervejaria ou contestando o viés católico da empresa. “Mas gente! Jesus pregava o amor ao próximo sem distinção! Tão interpretando errado seus ensinamentos hein!”, comentou Camila de Souza.

A cervejaria, localizada no interior de Minas Gerais, é de propriedade do Mestre Cervejeiro Pabhlo Allan, que se diz membro da Sociedade da Santíssima Virgem Maria (SSVM), um movimento de extrema-direita do catolicismo, que, em seu site, diz estar localizado na cidade de Montes Claros, no norte mineiro.

Diante da repercussão, a cervejaria soltou nota nesta terça-feira (10) também pelo Facebook dizendo que não recuará “diante das manifestações de ódio e incompreensão que alguns poucos aqui demonstraram”.

“Com efeito, desde seus primórdios a cervejaria Saint Arnulf foi um ambiente familiar de respeito e fraternidade cristã, e não aceitaremos que palavrões e xingamentos maculem o ambiente católico que propomos aqui. Saiam os que não concordam com as diretivas desse espaço”, diz a nota, que cita ainda aquele que seria o diretor presidente da SSVM.

“A Sociedade da Santíssima Virgem Maria – SSVM, na pessoa de seu diretor presidente João Soares de Oliveira Júnior, sempre afirmou abertamente a postura católica e tradicional de todos os apostolados ligados a nossa Pia Sociedade. Somos assim! Essa é nossa identidade Católica! Seguiremos assim, e nos aperfeiçoando cada vez mais, até nosso último suspiro sob o manto de Nossa Senhora”, diz o texto.

Bolsonarismo
O Instituto de Caridade e Educação Cristã Sociedade da Santíssima Virgem Maria se declara pelo site como “uma associação civil, sem fins lucrativos, de orientação católica e em consolidada atuação na cidade de Montes Claros (MG)”.

Em publicação na página da SSVM no Facebook, a entidade reafirma sua postura homofóbica com a seguinte mensagem: “Chega! É hora de reagir! Manifesto! A Sociedade da Santíssima Virgem Maria – SSVM faz eco ao manifesto contra a INÍQUA LEI de criminalização da homofobia que tem por finalidade reprimir a moral cristã e fortalecer os ideais revolucionários”.

Em outra publicação, de 22 de maio, a SSVM faz referência ao ato de Consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria, realizado no dia anterior no Palácio do Planalto por Jair Bolsonaro e o bispo dom Fernando Arêas Rifan, atual ordinário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Na publicação, a SSVM cria polêmica entre seus seguidores ao negar que tenha havido ato oficial de consagração, havendo um ” mero ato de piedade e uma consagração privada conduzida por um bispo presente, gesto simples e pouco condizente com a solenidade, a sacralidade e a dimensão exigida pela seriedade da proposta”.


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