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06 de abril de 2019, 17h40

Com ingressos de até R$ 1,4 mil, Lollapalooza paga R$ 50 por 12 horas de trabalho a morador de rua

Vans de empresas que prestam serviços para grandes eventos buscam os trabalhadores nos abrigos, levam até as arenas de montagem e depois os trazem de volta

Foto: Divulgação

Reportagem de Anaïs Fernandes e Laísa Dall’Agnol, na Folha de S.Paulo deste sábado (6), revela que moradores de rua relataram ter recebido R$ 50 por dia, por jornadas de 12 horas, para ajudar no carregamento de equipamentos na montagem do festival Lollapalooza, que começou nesta sexta-feira (5) em São Paulo e segue até domingo (7).

Um ingresso para um dia de festival custa até R$ 800. Camarote com direito a comida e drinks chega a sair por R$ 1.420. A organização do festival já foi alvo de denúncia similar no ano passado. Procurada nesta sexta pela Folha, não se manifestou.

No estado de São Paulo, o piso diário por lei é de R$ 38,80. Para 12 horas, seriam cerca de R$ 68.

O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, também denunciou a situação em suas redes sociais. Segundo ele, cerca de 120 pessoas foram convocadas para o trabalho.

 

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Lollapalooza cobra bem e os moradores de rua que carregam as estruturas recebem 45,00 por 12 hs de trabalho e um marmitex

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“O preço de mercado para um carregador trabalhar 12 horas seria de R$ 100”, afirma.

Boa parte desses trabalhadores, que pediram para não serem identificados, dorme em abrigos para adultos.

Vans de empresas que prestam serviços para grandes eventos buscam os trabalhadores nos abrigos, levam até as arenas de montagem e depois os trazem de volta. Nem sempre há contrato, segundo eles. No caso do Lollapalooza, dizem que chegaram a assinar um documento, mas sem registro em carteira.

Em março de 2018, a Pastoral entrou com um pedido no Ministério Público do Trabalho para que duas empresas de carregamento do festival fosse investigada. A denúncia tratava do uso de mão de obra de moradores de rua na montagem de estruturas, relatando falta de registro e ausência de banheiros, mas foi arquivada em um mês.

Leia a reportagem na integra

 

 


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