Deputada do PSOL entrega relatório da CPI à ONU, mas é impedida de discursar

Fernanda Melchionna, que esteve em Genebra, na Suíça, para dar documento nas mãos de autoridades das Nações Unidas, foi proibida de falar aos diplomatas da área de Direitos Humanas. Veto pode ser fruto de lobby do Itamaraty

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) esteve em Genebra nesta terça-feira (26) para entregar a representantes das Nações Unidas o relatório final da CPI do Genocídio. Após encaminhar o documento à responsável pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos para a América Latina, Alicia Londono Amaya, e à representante brasileira no órgão, Isabelle Heyer, a parlamentar foi informada de que não poderia discursar para os diplomatas presentes na reunião.

“Fiquei realmente surpresa. Fui autorizada a falar no primeiro dia do encontro e agora, após entregar o relatório da CPI ao alto comissariado de direitos humanos da ONU, a participação foi vetada. Se isso for resultado de pressão da delegação brasileira, será gravíssimo”, disse Melchionna.

Diante da negativa, a deputada do PSOL ventilou a possibilidade da proibição ter relação com o forte lobby exercido pelos representantes brasileiros na entidade, vinculados ao Itamaraty, que ainda em 2019 tentaram interromper um pronunciamento da parlamentar no qual ela denunciava violações aos Direitos Humanos no país, ocasião em que os diplomatas brasileiros chegaram a bater com a placa de identificação da delegação numa mesa, para chamar a atenção da presidente do comitê, exigindo que Melchionna se calasse.

Ida a Genebra

A deputada Fernanda Melchionna está em Genebra em missão oficial para participar de negociações de mais uma rodada de reuniões do Grupo de Trabalho Intergovernamental de Composição Aberta (OEIGWG, na sigla em Inglês) do Conselho de Direitos Humanos da ONU, para a construção de um Tratado Vinculante das Nações Unidas sobre Organizações Transnacionais em matéria de Direitos Humanos.

Por conta do compromisso, a deputada afirmou que notificou o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), da viagem, que então entregou a ela uma cópia do relatório para que o documento fosse entregue em mãos para representantes do Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU.

“Avisei o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues que viria a Genebra e ele me deu uma cópia do relatório para que pudesse entregar e divulgar ao máximo possível a investigação que foi concluída no Brasil. Preciso ressaltar que houve uma tese com consequências terríveis ao nosso povo, de que seria possível atingir uma ‘imunidade de rebanho’ às custas de milhares de vidas. Tivemos episódios escandalosos na gestão da pandemia. Fomos o único país do mundo que trocou de ministro da Saúde três vezes durante uma crise tão grave. A CPI mostrou que há um gabinete do ódio no governo, responsável por distribuir mentiras, que atacaram a saúde do povo e gerou situações grotescas, como a abertura de caixões de pessoas infectadas, pela população que, desesperada, foi incitada a crer que a doença era uma invenção e que as mortes não eram reais. Os crimes que são descritos pela CPI nos lembram os piores episódios da história do mundo e precisam de responsabilização em âmbito internacional”, explica Fernanda.

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Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

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